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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

6 meses

Meu balanço de 6 meses...hum. Teoricamente sei que o mais fácil é fazer uma lista com tudo o que consegui reconstruir aqui no Canadá do que era o meu castelinho de areia no Brasil.

Para a minha estranhesa e felicidade não reconstruí nada do que tinha no Brasil! Até agora só foram novas experiências...e maravilhosas! E se é para começar tudo de novo, por que não tentar coisas novas? Por que não tomar decisões diferentes?

Até o momento mais recebi do que dei: ganhei mais abraços, mais sorrisos, mais carinho de amigos, mais ajuda... e mais segurança. Recebi um apoio tão inesperado e tão grande que posso dizer que me sinto mais segura e acolhida aqui do que no Brasil. Sim, mesmo sem endereço fixo, trabalho "de gente", a tal estabilidade financeira ou o meu castelinho.

Sobre Montreal, adoro o fato de ter a possibilidade de falar 4 línguas diferentes num mesmo dia! De poder conviver com várias nacionalidades e raças, e de poder trocar informações, histórias e até fazer uma sessão de degustação de comidas internacionais! De ter uma surpresa em cada esquina, um esquisito na rua que faça a gente rir, um artista de metrô que toque um jazz de arrepiar, ou desvendar uma comunidade típica de algum lugar distante do globo...

Meu francês melhorou, meu inglês está na mesma...e agora já esqueço algumas palavras em português. Evito o espanhol porque ainda embanano com o francês.

Estou de mudança mais uma vez. Desta vez saio de LaSalle para ir mais para o centro. Pois é, não sou garota de subúrbio da mesma forma que não sou menina de interior! SOU CAIPIRA DE CIDADE GRANDE!!! Cosmopolita e sem vontade de ter uma definição de raça, cor, cultura, língua ou comportamento. ;)

E sobre as saudades... Pela 1a. vez nesse tempo todo estou com as saudades à flor da pele. Como diria um amigo meu, estou chorando até com propaganda de margarina...hehehe. Mas acho que agora isso é um caminho sem volta. Agora a saudade vai fazer parte de mim como ter um braço, uma perna... Se ficar aqui, sempre terei parte de mim e de meus pensamentos no Brasil. Se algum dia voltar, com certeza vou ter saudades das pessoas e das lembranças daqui.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mudança de planos

No começo de abril li no blog do Leandro (Teks rumo a Québec) sobre as polêmicas mudanças no orçamento da província do Québec, como o aumento de impostos, criação de taxas e cortes de despesas, o que inclui o corte de algumas aulas integrais do programa de Francisação.

Fiquei branca e comecei a buscar saber o que realmente estava acontecendo porque eu poderia ser afetada diretamente por essas mudanças!

Começar o processo abriu um leque ENORME de novas oportunidades e opções de escolha. E ter liberdade de escolha também pode deixar qualquer um maluco!!! Nas minhas noites mal dormidas pensei muito sobre a grande chance de se poder começar tudo de novo! E já que posso começar tudo de novo e no trabalho vou começar como estagiária "semi-alfabetizada" (sim, porque meu francês falado é médio e o escrito é sofrível), pensei em fazer outra faculdade. Depois saí pesquisando sobre cursos técnicos, o programa de financiamento e bolsa de estudos, documentos que precisava para voltar à escola...Quando estava a um passo de pirar, decidi parar com todas as pesquisas antes que perdesse a saúde. Resolvi que antes de tudo melhoraria meu francês, e só lá no Canadá veria se continuaria trabalhando com o que faço no Brasil, conseguiria mudar dentro do ramo da Administração de Empresas, ou voltaria para a escola.

Desde que comecei o processo sempre disse para quem quisesse ouvir que preciso muito da língua escrita para fazer meu trabalho. Tanto que depois da entrevista minha maior preocupação era dar uma maior base gramatical e escrita para o que eu já sabia falar em francês. Então, o grande foco dos estudos de francês no Canadá era o curso de francês escrito. E para mim o curso integral seria o mais ideal, pois seria mais rápido e eu poderia voltar logo para o mercado de trabalho...ou para a universidade ou CEGEP.

Depois de ler bastante sobre o assunto na Cyberpresse, no blog Patitanto encontrei um resumo das principais mudanças que inclui o cancelamento do curso integral de escrita em francês (e a bolsa oferecida); ou seja, o curso que eu mais precisava e queria fazer não existe mais!

Com a idade acredito que tenha melhorado muito, mas quem me conhece há mais tempo sabe o quanto eu O-D-E-I-O mudar de planos em cima da hora, principalmente sobre decisões importantíssimas que já foram exaustivamente pensadas, analisadas e avaliadas.

Minha primeira reação foi: "Se eles podem mudar as regras do jogo nos 45 minutos do 2o. tempo, por que não posso mudar meus planos? Vou para a província que menos se paga impostos!!!"

Passei noites pesquisando sobre Calgary e Edmonton. E surpresa! Lá o sistema de saúde funciona (o sistema de saúde é 1 dos 3 grandes medos que tenho sobre ir para o Canadá, assunto que merece um post separado)!

Com o sangue menos quente, fui pesquisar sobre Toronto e Vancouver...e guardei todas as informações e comparações.

Cheguei ao extremo de reconsiderar Ottawa-Gatineau! Mas aí acho que é apelar demais. Conheci Ottawa e tenho quase certeza que lá morreria de tédio (e olha que sou bem calma e caseira...)!

Análises feitas, informações guardadas e cabeça completamente confusa! O grande limitador de tudo é que não conheço nenhum desses lugares, e não conheço ninguém que esteja por lá. E tudo isso sem contar as zilhões de preocupações sobre as coisas que tenho que fazer antes de ir embora do Brasil!

Então, veio mais um pensamento desesperado! Chegar no Canadá, dar entrada nos documentos, deixar as malas em algum lugar e sair de mochilão para conhecer ao vivo as cidades "potenciais".

Para melhorar toda a situação, sofri um acidente doméstico que me renderam alguns pontos no rosto e 1 semana inteira "grogue" e de molho.

Com o tempo passando rápido demais e caso quisesse mudar de planos tinha que avisar minha homestay em Montreal e encontrar um novo "cafofo" para viver, e mesmo com muita insegurança decidi mudar meu destino para a Ville de Québec. Lá tenho alguns bons amigos da École e o custo de vida é bem mais baixo que em Montreal. Acho que são as duas coisas que mais preciso no momento: apoio moral das pessoas que confio e gosto, e economia de dinheiro (que me dará mais tempo para decidir o que fazer da vida).

Não conheço muito bem a Ville de Québec. Passei somente um final de semana na parte histórica/turística da cidade, que provavelmente não tem nada a ver com a vida no dia-a-dia. Li muito pouco sobre lá e até há poucos dias nem sabia a população do lugar. E confesso que me dá um pouco de aflição ir para um lugar onde a comunicação é feita só em "quebecois"... :S

Ando pesquisando alternativas sobre como vou fazer para chegar em Québec, pois se mudar a passagem terei que fazer 2 escalas nos EUA (São Paulo - Miami - Chicago - Quebec). Então provavelmente meu landing continuará sendo em Montreal. Uma opção é um ônibus que sai do próprio aeroporto de Montreal para a Ville (Orléans Express). Nada decidido ainda...

Mas é isso aí! Vou para a Ville de Québec assistir a Copa perto de bons amigos! Rsrsrsrs.

Depois dos jogos reencaminho minha vida, seja ela para os estudos, seja ela para o trabalho, seja ela para a estrada; pois por causa de tudo isso pela primeira vez em todo o processo eu comecei a considerar ir para o lado inglês.

Links com informações:

Budget 2010-2011
O Canada sob o olhar de uma imigrante: Manifestação defende curso de francês em tempo integral
Canadá Direto (Rádio Canadá) - Discussão sobre o corte dos cursos de francisação
Aéroport international Pierre-Elliott-Trudeau de Montréal

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Como anda meu francês

Depois de voltar de Montreal no final de 2008, e completamente descrente que algum dia eu conseguiria entender o que aquele povo falava, me inscrevi para fazer aulas de sábado na École Québec por indicação da Tatiana.

É uma pequena escola perto do metrô Santa Cruz. Na época em minha sala tinha eu, a Patty, a Michelle, a Tati e o casal Paulo e Janete (que já estão no Canadá). Me lembro que no primeiro dia de aula o Paulo tinha acabado de receber a convocação para a entrevista e estava subindo pelas paredes de tanta ansiedade.

A dona da escola, Catherine, é uma canadense que se “perdeu” em terras brasileiras. Gente finíssima, que além do francês nos dá dicas muito valiosas tanto para entrevista como para quem já está fazendo as malas. Ela conseguiu fazer da École uma grande família onde todos se ajudam!

No começo achei que estava mega atrasada para a turma, mas com o tempo fui me adaptando. Então começamos a ter aulas com o Jef... um “québécois” fervoroso, de 35 anos com cara de 23 e completamente doidinho das idéias! Ele sim forçou a barra e fez todo mundo aprender a falar e a entender o “québécois”.

Um pouco antes da entrevista a Catherine mandou um questionário preparatório, deu uma aula preparatória e, por fim, fez uma simulação da entrevista. E comparado ao entrevistador ela pega bem pesado! O que é ótimo pois dá uma grande segurança.

Além disso tudo tive aulas particulares com o Jef, escutava Tam-tam Canadá praticamente o dia todo, e lia e relia meu dossiê zilhões de vezes.

Depois de tudo isso, agora posso dizer que consigo me comunicar em francês!!! Fui em uma palestra sobre universidades no Quebec e consegui falar com todos os canadenses em francês...ignorei o inglês completamente! Saí de lá mega feliz! :)

Passada a entrevista fui a mais algumas aulas, mas eu sentia muita falta de gramática e de provas. Pois é, eu só estudo sob pressão. Apesar de gostar muuuuuuuito, muito, muito da École, decidi sair de lá e me inscrevi no SENAC para a turma de agosto.

Por que o SENAC? Por que era a única que ainda não tinha experimentado? Rsrsrsrsrsrs. Não! É porque o Governo do Quebec reembolsa em até CAD$ 1.500 as aulas de francês para quem já tem o CSQ, mas só para quem estuda na Aliança Francesa ou no SENAC.

O governo do Quebec tb disponibiliza um curso online para quem já passou pela entrevista: Francisation en Ligne. Depois de uns 2 meses de espera, comecei minhas aulinhas via Internet... que são bem puxadas!

Quando estava me questionando como ia fazer o SENAC sendo que mal estava dando conta do curso “en ligne”, me ligaram do SENAC dizendo que não havia formado turma aos sábados pela manhã.

Então, agora estou só com o curso online...mas morrendo de saudades da École!

sábado, 25 de julho de 2009

Começando o francês

Adiei o curso de francês pois estava para começar o MBA que pensei que me daria mais alguns pontos no processo de imigração. Só depois fui saber que por causa de umas 15 horas a menos de aula no MBA, ele não contaria nem um pontinho a mais.

As férias de 2007 tive que tirar em julho por causa das aulas do MBA, então tentei fechar um pacote para Montreal para ver onde eu queria me meter e para começar o francês. Mas foi em cima da hora e as passagens direto para o Canadá já estavam esgotadas. Só havia vôos com escala nos EUA e meu visto americano tinha expirado em fevereiro.

Acabado o MBA em dezembro de 2007, em janeiro de 2008 já estava em aula para um intensivo de férias na Wizard. Não gostei. No mês seguinte estava inscrita na Aliança Francesa. Mas por lá, além de tb não ter gostado muito (alunos demais por classe e a maioria "esnobe"), fiquei doente no meio do curso.

Peguei meningite no início de junho e tive que ficar internada por 10 dias. Saí do hospital completamente estropiada! Parei o francês e fiquei sem norte. Não tinha forças para pensar em que direção ir...já que mesmo que decidisse ir, mal tinha forças para caminhar. Tudo me cansava extremamente, sempre estava exausta, sempre queria dormir e só pensava que queria minha saúde de volta.

Mesmo assim minhas férias já estavam marcadas para setembro; e apesar de todo mundo ser contra ou duvidar, decidi ir para Montreal. Pensei: “Lá vai ser onde vou decidir se tenho que continuar com essa idéia de virar imigrante”.