sábado, 26 de junho de 2010

Luto

Ontem recebemos a notícia de que nosso querido amigo Leandro (Teks Rumo ao Norte) nos deixou. Havia acabado de receber o visto e estava com a chegada marcada para a próxima semana.

De todas as pessoas incríveis que conheci nesta jornada de imigrante, ele era um dos que mais queria vir para cá... infinitas vezes mais que eu! E não só por conta daqueles motivos básicos como qualidade de vida, violência, etc. Ele era daquelas pessoas que estava no mundo por conta das experiências de vida que poderia ter, dos lugares que conheceria e das pessoas que levaria no coração!

Pregava o desapego completo e total tanto material quanto das pessoas, pois realmente nada nos pertence. E assim se foi meu amigo que eu gostava de qualificar de “Mochileiro nível Avançado III”, enquanto eu só estou no “Básico II”.

Éramos sócios na “plantação de minhocas” no assunto “escolher a cidade para viver no Canadá”. E mesmo não podendo me acompanhar, sempre me deu a maior força para botar o pé na estrada e explorar o máximo que pudesse antes de me estabelecer. De todos foi o único que disse:

“- Tô achando o máximo ver toda a turma reunida aí em Ville.... mas não te via morando aí, não! Rsss.”

Sei que onde estiver –e tenho muita fé de que nossa consciência não acaba aqui- ele está se divertindo e já questionando o funcionamento de tudo com suas afirmações enfáticas e apaixonadas. Se foi para o Céu, já deve estar discutindo com São Pedro e sindicalizando todos os anjos para brigar por benefícios e salários melhores. Se está no Inferno, está jogando truco com o “coisa ruim” sem medo nenhum de ganhar do Demo (só um cabeça fraca ia deixar o Demo ganhar só para fazer uma “média”). Rsrsrsrs. ;)

E mesmo com todos esses ensinamentos, não consigo deixar de ter aqueles pensamentos extremamente egoístas e individualistas de que quem saiu perdendo fomos nós. Não consigo deixar de estar triste... não consigo ficar feliz por alguém que soube realmente viver e pode dizer: “I did it my way!!!”. Não consigo afastar o medo e a ansiedade de que todos nós temos data de validade... de que um dia todos nós seremos adubo...

Querido Leandro, agora vc não precisa mais de passaporte, vistos ou dólares!!!

“...não deixa passar mto o tempo, não. Bóra mochilar!” - Leandro Chagas, em e-mail para mim. 

"I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived. I did not wish to live what was not life, living is so dear, nor did I wish to practice resignation, unless it was quite necessary. I wanted to live deep and suck all the marrow of life, to live so sturdily and Spartan-like as to put to rout all that was not life, to cut a broad swath and shave close, to drive life into a corner, and reduce it to its lowest terms, and if it proved to be mean, why then to get the whole and genuine meanness of it, and publish its meanness to the world; or if it were sublime, to know it by experience, and be able to give a true account of it in my next excursion. For most men, it appears to me, are in a strange uncertainty about it, whether it is of the devil or of God, and have somewhat hastily concluded that it is the chief end of man here to “glorify God and enjoy him forever.”

Excerpt from Walden – Henry David Thoreau


quarta-feira, 23 de junho de 2010

O Canadá – Um país, duas nações

Às vésperas da "Festa Nacional do Quebec" (ou Festa de São João Batista), é normal ficar questionando várias coisas sobre o funcionamento da política e da sociedade daqui. Por exemplo, por que ainda existem tantos separatistas? Por que os quebequenses têm tanta birra do resto do Canadá? E até coisas mais simples como por que a Ville de Quebec é chamada de capital nacional se a capital do Canadá é Ottawa?

Esta palestra dada pela Catherine Potvin, dona da École Québec, ajuda a entender melhor a evolução da história, o porquê do Canadá ter duas nações (anglófona e francófona) e até como os palavrões "quebecois" fazem referências à religião católica.

http://escuta.estudiolivre.org/2010/04/13/rascunho-o-canada-blallalbla/#

Para download, clicar aqui

segunda-feira, 21 de junho de 2010

VEM PRO CANADÁ GALVÃO!

A capa da revista Veja desta semana é sobre a campanha contra o mala-mór da Copa (e de qq outro esporte, de bolinha de gude a bocha!): Galvão Bueno.

Mas meus queridos, ver os jogos do Brasil aqui no Canadá é sofrível!!! Nós chegamos ao ponto de acreditar que pegaram algum funcionário da RDI que é casado com uma brasileira e disseram: "Vc é quem mais entende de futebol no Canadá! Parabéns! Foi promovido a locutor oficial da Copa do Mundo de "sóquérrr"!"

"sóquérrr" = soccer com sotaque quebecois

A locução da RDI em inglês consegue ser pior! Parece que estão narrando um jogo de xadrez!

E não dá para dar a desculpa de que os "canadenses são calmos mesmo". Alguém já viu a locução de um jogo de hockey, o esporte nacional daqui? O povo fica enlouquecido!

Enfim, decidi apoiar a Campanha por uma Copa mais animada da Paty (blog Bain de Neige).

VEM PRO CANADÁ GALVÃO!


sábado, 19 de junho de 2010

Passeio pela cidade

Sábado passado eu e a Paty fomos bater perna pela cidade.

Mas antes de subir até a parte antiga passamos pelo Emmaüs para ver se encontrávamos algum "tesouro" perdido. É uma instituição que vende de tudo de 2a.-mão. E quando digo de tudo, é TUDO mesmo! Desde máquinas de lavar novinhas a pás de neve e vaso sanitário...

Não encontramos nada e saímos da loja e começamos a subir, subir, subir. Passamos pelo Parlamento do Quebec e quando viramos na Grande-Allée aí me dei conta que tinha perdido minha malha que havia pendurado em minha bolsa.

Minha reação de recém-chegada foi pensar: "Perdeu prayboy!"

Mas a Paty insistiu muito e fizemos todo o caminho de volta:

"- Se alguém encontrou pode ter certeza que só colocou do lado."

E voltamos até a Emmaüs. Eu já ia ter desistido no meio do caminho, mas a Paty não se conformava! Passamos por todos os andares perguntando por um "chandail", até que na entrada uma funcionária disse que havia visto sim, num cantinho em cima de uns DVDs e CDs antigos. Pensou que era doação como tudo o que estava para vender na loja e separou para que fosse enviada para a triagem de roupas.

O mais legal é que a Paty tinha razão, pois alguém encontrou a malha no corredor e colocou num canto onde eu nem tinha passado.

Muito feliz, com preguiça de subir o morro tudo de novo mas sem vontade nenhuma de voltar para casa (o dia estava liiiindo!), fomos caminhando até a Boulevard Charest Est onde estavam acontecendo ensaios do Cirque de Soleil do Espetáculo Les Chemins Invisibles!

Um pouco mais para frente encontramos uma lojinha com temperos e comida de várias partes do mundo (Epicerie Al-Amine).
Lá encontramos leite Ninho, noz moscada e até folha de louro (essa para colocar no feijão...hummmmm).

Epicerie Al-Amine
627, boulevard Charest Est, G1K 3J5

Então decidimos pegar um ônibus para subir o morro até a Grande-Allée. Fomos num dos vários restaurantes, pegamos alguma coisa para comer e sentamos na varanda. De repente a Paty:

"- Ih...olha o Homem-Aranha!"

Era uma despedida de solteiro! O noivo estava no centro da cidade vestido de Homem-Aranha vendendo barrinhas de cereal para arrecadar dinheiro... Micão total!!!

De lá fomos para Vieux-Québec -a parte antiga da cidade-, passamos pelo Château Frontenac e descemos para o Vieux-Port e ficamos andando no Quartier Petit Champlain.

E então já eram quase 7 da noite (o Sol anda se pondo umas 9 da noite, o que nos confunde muito), e voltamos para casa.

Saldo do dia: nota 1.000!!!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Verdades, mitos e reflexões

Nesta semana que passou tive palestras no MICC de 2ª. a 5ª.-feira. Os agentes de imigração dão vários tipos de informações sobre os hábitos, comportamentos, mercado de trabalho, leis, serviços governamentais, etc. Muita coisa está nos sites que já cansei de pesquisar antes de vir para cá, mas também dão muitas informações importantes que só mesmo os locais podem contar.

Pelo que fiquei sabendo é algo que acontece no MICC de Quebec, em Montreal não tem nada de palestra...

E já com quase 2 semanas aqui, já tenho algumas reflexões sobre o pouco que vi:

Ao contrário do que muita gente diz, aqui tem sim:
- palmito
- pão-de-queijo
- polvilho
- leite condensado e chocolate granulado
- creme de leite
- requeijão
- café e filtro de café (e não daqueles para máquinas americanas de café que parecem uma cumbuca de sopa, e sim nosso coador em formato de trapézio).

É tudo “made in Canada” ou “made in the USA” e bem carinho. Lógico, nunca será igual ao nosso! É feito para o paladar dos canadenses. Mas mudar nossa forma de comer não faz parte de nossa adaptação? Xis...

Falando nisso, estou fascinada por todos os “berrys” daqui: morangos, cerejas, amoras e framboesas. São todos enormes, deliciosos e baratinhos! Os morangões aqui não têm gosto de papel como no Brasil...são suculentos, docinhos e lindos!

Por outro lado, os queijos e todos os derivados de leite custam uma fortuna! Os queijos mais em conta não têm gosto de nada.

O açúcar não é tão doce como o brasileiro, assim como o sal também não salga muito. Mas em compensação os azeites são uma delícia e são vendidos a galão!!! :) As amêndoas, os aspargos frescos, salmão e vinhos são mega baratinhos!!! ADOROOO!!! E ontem encontrei castanhas portuguesas em calda!!!

No Brasil eu sempre me vesti de forma bem básica: calça jeans, camiseta e tênis. Aqui só o fato de pentear o cabelo me faz ser a mais arrumadinha do busão. Ok, ok. Nós brasileiros somos extremamente preocupados com nossa aparência e forma de vestir. Às vezes até demais... Mas acho que isso é variável: em Montreal o pessoal é mais arrumadinho.

Outra característica bem diferente é o valor à palavra dita. É um choque muito grande estar numa sociedade onde vários tipos de contrato (inclusive o contrato de trabalho) são feitos verbalmente. No Brasil todo mundo sabe que a palavra dita não vale absolutamente NADA! E talvez por isso aqui todos são diretos e verdadeiros no que falam; e para os parâmetros brasileiros até um pouco rudes. Talvez porque as palavras de cada um valem muito e não podem ser perdidas com “blá blá blá”.

Os materiais de limpeza são “power” e o sonho de consumo de qualquer dona de casa brasileira. Mas isso não quer dizer que as casas canadenses são brilhosas e limpinhas. Todo imigrante que conheci tem uma história de arrepiar e digna de um “ECA!!!” bem sonoro. E isso não vale só para a casa como para a higiene do povo em geral.

Mas tendo “andado” um pouco por esse mundão, e até agora -não, não conheço o mundo todo...ainda- os brasileiros são os que mais primam pela limpeza “branco-OMO-Cândida-Lisoforme com brilho BomBril”. Somos a absoluta minoria no mundo em termos de limpeza.

Aí vêm as perguntas:
1. Será que nós é que somos melhores e o resto do mundo está errado (e fedido)?
2. Ou nós é que temos TOQ coletivo e somos paranóicos por limpeza?

Não, isso não quer dizer que vou parar de fazer uma boa faxina “branco-OMO-Cândida-Lisoforme com brilho Bombril” e de tomar banho diariamente com um sabonete bem cheiroso e minha buchinha mega-power-blaster esfoliante! Rsrsrsrsrs. Foi só uma reflexão...

sábado, 5 de junho de 2010

Minha 1a. semana

Não tem muito o que contar...

De importante, a Paty me acompanhou ao Ministério de Imigração (MICC) para marcar minha 1a. palestra de integração e para solicitar minha carteirinha da Assistência Saúde.

Fui à tal palestra do MICC na 5a.-feira. Lá foram dadas algumas informações básicas sobre aluguel, permissão para dirigir, Seguro Saúde, Seguro Social, etc. Tive sorte e já na próxima semana terei palestras durante 4 dias seguidos com maiores detalhes sobre as leis, mercado de trabalho e a integração.

Na 5a.-feira mesmo fui fazer a solicitação de meu Número de Assistência Social (NAS), que seria o equivalente ao nosso CPF...mas bem mais importante. É um número que não é para sair distribuindo por aí, e só com ele que é possível conseguir um emprego legalmente.

Na 6.-feira a Paty me acompanhou mais uma vez para solicitar minha carteirinha de Assistência Saúde (Assurance Maladie) e também Assistência Medicamentos (Assurance Médicaments).

Ainda não sei porquê mas durante a semana toda fiquei fisicamente destruída! Não sei se é resultado de toda a tensão dos meses anteriores, por estar num lugar onde só entendo 30% do que o povo fala... Mas semana que vem se não melhorar vou arrumar umas vitaminas. ;)

O tempo anda estranho...e para os nossos padrões muda muito rápido. Num dia pode estar o maior sol com 25 graus, e no dia seguinte sensação térmica de 10 com chuva... Haja saúde!

O que mais me impressionou é a atenção, paciência e a simpatia de todos que me atenderam, incluindo os funcionários dos órgãos públicos. Sempre extremamente educados e com um sorriso no rosto.

Ainda não vi muito da cidade, então até agora não me decepcionei nem me surpreendi com nada. Está sendo exatamente o que eu imaginava...e se estivesse sozinha aqui já estaria refazendo minhas malas para ir para algum lugar mais agitado.

Nesta semana o que "abrilhantou" a cidade foram as pessoas que me acolheram! ;)

Mas estou aberta para tentar me adaptar a um lugar pequeno como aqui (que para os parâmetros canadenses é até uma cidade grande), e deixar para trás minha "Vida Loca" de São Paulo.

De resto, só tenho a agradecer a todos que me acolheram aqui, principalmente à Nayara (Tiguidou = c´est d´accord) e à Paty (Bain de Neige) que não me deixaram ficar parada um minuto. :)

terça-feira, 1 de junho de 2010

Parte III - Minha partida, minha chegada e o aumento da criminalidade no Quebec

Malas no carro. Próximo destino: Ville de Québec!

A viagem foi muito tranqüila e quase o tempo todo vim “conversando” com a Bebecca! :)

Demos uma parada rápida num Burger King para matarmos a fome:

“- Lilica, que vc quer comer?”
“- O que seja mais fácil para pronunciar!”

E foi isso mesmo que fiz:

“- Númerrô ãn ê une Cocá-Colá zérrô, sí vú plê!”
“- Sbrubles....sbrubles....”

Cara de “hein?”

Mas no fim deu tudo certo. Foi meu primeiro contato com o francês depois de meses...rsrsrs. Sucesso total!!!

Chegamos em Ville de Québec, na casa da Paty e do Cacá.

Durante o resto do dia fiquei me segurando para não dormir para não estragar meu sono à noite...então passei quase o tempo todo meio fora do ar.

No final da tarde eu, a Paty e a Rebecca fomos botar o lixo para fora, e no estacionamento perto da lixeira havia uma daquelas cadeiras dobráveis. Lá, sozinha e sem dono.

É um conceito muito estranho para nós mas já ouvi muitas histórias sobre as pessoas deixarem objetos, eletrodomésticos e até móveis semi-novos e de boa qualidade na rua para alguém passar e levar embora para casa.

“Sou novinho e preciso de um novo lar. Adote-me!”

É assim que muitos recém-chegados conseguem mobiliar e equipar a casa sem gastar muito.

Logo a Paty comentou que provavelmente estava ali para ser dada. Eu até fiquei meio na dúvida, mas ela até comentou que ali no mesmo lugar já tinha visto outras coisas para doar.

“- Será que está quebrada?”
“- Vou lá testar. Se agüentar meu peso aí a gente leva.”

Sentei e até me sacudi um pouco. Parecia tudo OK! Dobramos a cadeira e já estava levando a cadeira debaixo do braço quando, passando na frente de uma das saídas no edifício, aparece o dono da cadeira! :S

QUE VERGONHA!!!

Neste momento a Paty começou a cavar um buraco para a gente se enfiar dentro de tanta vergonha!!!

Pedimos milhões de desculpas...demos milhões de justificativas.

O dono da cadeira foi super simpático e educado, e até tentou amenizar a situação dizendo que a culpa tinha sido dele. E que até ele próprio já tinha deixado uma TV ali no mesmo lugar para ser doada.

“- Se eu tivesse deixado uma chave ou um celular em cima da cadeira seria um problema; mas como deixei a cadeira sozinha... eu mesmo pensaria que estava ali para doar...”

Mas não adiantou nada! Naquela hora eu até perdi o sono e meu francês pegou no tranco!!! Ainda disse que em meu 1º. dia no Canadá já estava furtando os outros... :S



Pensando agora é até engraçado: eu e a Paty puxando conversa e tentando disfarçar toda a situação...e a Rebecca correndo em volta dos 3 sem parar de brincar.

No final das contas ficamos conhecendo melhor nosso vizinho, que é de um pequeno país da África e está aqui desde 2006. Depois de um tempo ele pediu licença e foi até o carro. Pegou 3 caixinhas de suco (iguais ao que ele já estava tomando) e deu para mim, para a Paty e para a Rebecca, e ainda gozou de nós:

“- Este é dado de verdade!”

Parte II - Minha partida, minha chegada e o aumento da criminalidade no Quebec

Durante a viagem lembrei que teria que entregar na imigração os papéis dados pelo consulado junto com meu passaporte e o visto de imigrante. Então logo que saí do avião fui ao banheiro para tirar a papelada da bagagem de mão. Quando saí o aeroporto parecia deserto...não tinha ninguém à vista!

Cheguei na imigração e o policial, extremamente educado (normalmente os agentes de imigração são super antipáticos) fez algumas perguntas sobre o que eu estava levando e me direcionou para uma salinha onde faria a declaração de meus bens.

Na salinha fui atendida por outro policial, também extremamente educado que fez várias perguntas, sugestões e até aconselhamentos sobre a documentação que deveria providenciar.

“- This is a very important moment because now you’re officially a Canadian resident!”

Comentou que o MICC só abriria dali 2 horas então eu teria que procurar o escritório em Ville de Québec para marcar uma entrevista.

Depois de preencher toda a papelada e eu assinar ele ainda arranhou um português com um sotaque bem forte: “Bem-vinda ao Canadá e boa sorte!”

Saí dali super contente! Peguei minhas "malinhas" e fui para a alfândega. Entreguei a papelada feita na imigração e pediram para que eu fosse para uma outra sala, com vários balcões onde se colocam as malas para serem vistoriadas. Mas não tinha ninguém lá... parecia uma sala-fantasma. Esperei um pouco, olhei em volta, andei um pouco, voltei para a entrada. Esperei mais um pouco e decidi ir para a saída...

Então apareceu um guarda que pediu para eu me direcionar com as malas para um dos balcões no final do salão. Lá ele fez as mesmas perguntas feitas na imigração e qdo fiz a declaração de bens. Perguntou sobre o dinheiro, como ele estava (dinheiro, espécie, etc.) e onde estava; e então disse que eu precisaria acompanhá-lo para outra sala junto com o meu dinheiro.

Pensei: “Nunca li nada sobre isso em lugar nenhum...Será que estão fazendo isso pq sou a única neste aeroporto inteiro e eles têm que mostrar serviço?”

Chamou uma assistente que nos acompanhou. Na salinha pediu para que eu mostrasse todo o dinheiro e travellers, contou tudo e ainda cantou os valores para a moça:
“- x notas de CAD$10, y notas de CAD$50...”

Os valores em Visa Travel Money simplesmente foram ignorados, como se não tivesse importância para a documentação.

Guardei o dinheiro e voltamos para o balcão. O policial com toda a calma do mundo escreveu um monte de coisas que eu não conseguia ver o que era. Preencheu uns 3 formulários, me deu 1 para assinar que tinha os valores que ele havia contado, e então me liberou:

“- Welcome to Canada!”

Saí no saguão e encostei num canto para organizar e guardar toda aquela papelada. Então fui até o orelhão ligar para o Jeison e a Susana. Eles tinham acabado de chegar e foi uma grande alegria ser recebida por eles e pela pequena Rebecca!!!