sexta-feira, 31 de julho de 2009

Luís

O moço venezuelano que conheci em Montreal. Sim, agora ele é meu namorado! :)

Passei o Ano Novo na Venezuela para conhecer sua família, e ele passou o Carnaval aqui. No final de semana passado ele tb veio para cá somente porque comprou um filme que achava a minha cara e queria que assistíssemos juntos.

O filme é sobre um escritor frustrado, mais ou menos de nossa idade, que descobre que está com câncer terminal. Então, atordoado com a notícia, ele resolve subir em uma moto e atravessar seu país, o Canadá, de Toronto até o Pacífico. Em todo ele têm referências à pequenos detalhes da cultura canadense, misturado àquelas questões que todo mundo algum dia faz como: O que estou fazendo de minha vida? Será que posso pegar um caminho melhor? e "O que vc faria se tivesse somente 1 semana de vida?".

Eu e o Luis nos falamos quase todos os dias e agora nossos planos estão sendo feitos juntos, mas até por causa das loucuras do Sr. Chávez, sei que provavelmente vou chegar bem antes que ele. Parece que aqui no Brasil os processos estão sendo acelerados.

Ele também já passou pela entrevista, mas não conseguiu mandar os documentos para a parte federal por causa das burocracias de um país em ditadura (mesmo que maquiada).

E viva o Skype!!!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O novo emprego

Passada a entrevista comecei uma nova empreitada: encontrar um novo emprego.

Também na mesma época minha avó foi passar uma temporada na casa de minha mãe, e 3 vezes por semana eu passava a tarde até a noite por lá fazendo companhia à ela. Adorei! Conversávamos muito e fiquei sabendo de histórias incríveis sobre a família e da viagem até o Brasil.

Também fiz um plano para encontrar emprego, e isso no fim se tornou um trabalho não remunerado. Cheguei ao total de 30 entrevistas até ser aprovada.

Comecei a trabalhar em 16 de junho. Mas fiquei somente 2 semanas nessa empresa. Também fui aprovada em outro lugar onde me ofereceram melhor salário, mais benefícios e, principalmente, não ia precisar viajar.

Até o momento estou gostando muito de lá, do trabalho, do pessoal e da chefe. Cada vez mais tenho a certeza de que ter deixado o bônus do banco foi uma ótima decisão!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O processo federal

Em 1º. de abril enviei meus documentos, mais formulários e o CSQ (documento dado pelo governo do Quebec para quem passa na entrevista) para o Consulado do Canadá a fim de começar a etapa federal de seleção.

Com o envio dos documentos, e se tudo estiver OK, eles devem solicitar que eu faça alguns exames médicos.

Se os exames estiverem todos OK, então fazem o pedido do passaporte para colocar o sonhado visto.

O problema é que no momento estão rolando notícias de fontes seguras de que ninguém mais receberá pedidos de exames médicos neste ano pois a “cota” de imigrantes acabou. Mas também já ouvi uma história de que gente que mandou os documentos em março acabou de receber os pedidos.

Meus planos eram chegar na primavera de 2010. Vamos esperando.

A entrevista

Em 6 de março saí do banco, deixando 20 dias para me dedicar 24 horas para o francês. Fiz um programa de estudos e nem fui mais ver minha mãe.

No dia anterior à entrevista decidi bater perna para cansar meu corpo e garantir que conseguiria dormir à noite. Mas estava tranqüila. Sabia que tinha feito tudo direitinho, tudo o que poderia ter feito para estar bem preparada para o grande dia (aulas extras, aulas particulares com simulação da entrevista, escutar Radio-Canada, estudar o dossiê).

Gostaria de agradecer à Catherine, dona da École Québec, que realmente nos prepara e nos dá apoio para esses minutos tão importantes e decisivos em nossas vidas.

Minha entrevista durou uns 50 minutos. Meu entrevistador foi o Monsieur Leblanc, conhecido por ser um "gentleman". Muito tranqüilo, faz questão de se fazer entender, é extremamente profissional e devido à forma como ele lida com o entrevistado faz com que a gente fique menos nervoso.

Bom, aí vai o relato de minha entrevista:

Minha entrevista estava marcada para as 9 horas; então cheguei pontualmente às 8:30. A recepcionista da portaria fez meu registro, deu o crachá e disse que eu somente poderia subir às 8:50. Fiquei esperando no saguão com minha “pastona” na mão e relendo o questionário que a Catherine havia passado para a preparação da entrevista.

Uns 10 minutos depois a recepcionista me chamou e disse que eu podia subir. Cheguei no escritório e sentei na salinha de espera de frente para as portas, sendo que uma delas estava semi aberta e eu podia escutar alguém falando francês no telefone.

Tentei e distrair com a TV que estava ligada e estava passando o festival de jazz em Montreal.

Por volta das 8:50, a pessoa que estava na sala saiu e se apresentou como Daniel Leblanc. Perguntou meu nome e de onde eu era, e depois de me apresentar ele perguntou se nós podíamos começar mais cedo.

Entramos na sala, se apresentou de novo e mostrou a plaquinha com seu nome. Pegou meu processo e abriu alguns papéis. Virou para o computador e perguntou qual era a minha motivação para emigrar para o Quebéc ao mesmo tempo que eu percebi que ele estava abrindo o sistema onde faria o registro de minhas informações.

Pensei comigo:
“- Motivação? Putes grila...isso dá umas 4 perguntas do questionário da Catherine...será que é isso mesmo que ele quer saber?”
Então comecei a falar da qualidade de vida, da segurança, da educação, da cultura...

Mas no meio ele me interrompeu e pediu meu passaporte e minha certidão de nascimento. Começou a verificar os documentos, digitava algumas coisas, me perguntou minha data de nascimento, e devolveu os documentos.

Pediu que eu comentasse de novo quais eram minhas motivações para imigrar, mas desta vez ele foi digitando tudo no que parecia ser um arquivo em Word.

Voltou para a mesa e deu uma passada nas empresas em que trabalhei e que estavam registradas na minha DCS. Perguntou se eu estava empregada e pediu minha carteira de trabalho. Então para cada empresa ele pediu que eu apresentasse o registro na carteira. Entretanto, eu não conseguia encontrar onde estava (e nem sabia se tinha) as datas de desligamento. Disse a ele que isso tinha nas cartas emitidas pelas empresas e perguntei se ele gostaria de ver. Olhou carta por carta, checou todas as datas e anotou no DCS, na frente de cada nome de empresa, “lettre”.

Então pediu meus documentos de estudos, também na ordem em que estavam registrados no DSC.

Primeiro com o MBA, pegou o diploma e meu histórico, e analisou nota por nota: “Vc teve 2 notas C, mas "tantas" foram A e "tantas" foram B....isso dá n% de nota C. Muito bom! Ah, e a nota C foi em Contabilidade de Custos...”. Voltou para o computador e fez algumas anotações.

Então pediu o diploma e histórico da faculdade, e também analisou nota por nota: “vc teve notas boas em estatísticas e cálculo...isso é muito bom!”. E fez mais anotações no computador.

Então foi o histórico da escola e diploma do 2º. grau. Perguntou se tinha alguma especialidade ou se era geral. E em seguida perguntou se eu tinha o diploma do primário. Mais anotações no computador.

Ainda no computador perguntou se eu já tinha ido para o Quebéc. Respondi que sim:
“- Em setembro do ano passado”.
“- Por quanto tempo?”.
“- Por 4 semanas.”
“- Vc teria uma comprovação?”

Mostrei o passaporte mais uma vez na página com o visto e os carimbos da imigração. Mesmo assim ele perguntou se não havia outra comprovação, pois o carimbo de entrada no país era do aeroporto de Toronto. Então dei a carta emitida pela escola de francês onde estudei em Montreal. E mais digitação...

Aproveitando a deixa ele pediu a comprovação de horas de francês e dei todas as outras cartas de escolas, incluindo da Aliança Francesa e da École. E ele perguntou qual eu achava a melhor. Respondi que achava que era a École pois foi onde eu aprendi a falar e a entender o francês, além de ter conhecido o sotaque “quebecois”; e ele brincou:

- “Ah...por isso vc consegue me entender...”

Eu continuei dizendo que a Aliança era uma ótima escola, mas havia muitos alunos por sala e que isso atrapalhava muito as aulas.

E ele comentou:
“- Realmente ter uma sala com poucos alunos é muito importante.”

Então perguntou (em inglês) se podíamos trocar algumas palavras em inglês. Respondi que sim e fiquei esperando alguma pergunta. Como não veio, comecei a falar de como eu tinha aprendido a falar inglês, quantos anos tinha estudado, como tinha praticado. E logo em seguida ele disse que estava bom e que poderíamos voltar para o francês.

Ainda no computador ele perguntou qual era meu planejamento de imigração, meus planos A, B, C... Eu respondi que havia feito uma pesquisa sobre as perspectivas de trabalho e sobre vagas de emprego, e perguntei se ele gostaria de ver; e ele respondeu que sim.

Aproveitei e tirei todas as pesquisas e projetos que tinha feito, não só de emprego mas tb de moradia, orçamento, mapas de Montreal...

Coloquei tudo em cima da mesa e fui apresentando a de empregos. Disse que meu plano A era aperfeiçoar meu francês tanto falado como escrito pois isso era muito importante para a minha profissão, e que teria que fazer a equivalência de meu diploma. Por isso, meu plano B era trabalhar ainda na área administrativa (pois sou administradora) mas em cargos mais baixos ou em profissões alternativas que não exigissem faculdade.

Então ele me pediu que eu desse exemplos de profissões alternativas. E essa eu tenho que agradecer a Catherine que no simulado me sugeriu que levasse alguns exemplos! Sem o toque dela não teria levado nada! E ele digitou no computador profissão por profissão.

Pegou a pesquisa de vagas de emprego e começou a passar uma a uma, fazendo uma avaliação de tudo, se serviam para mim, se a empresa era boa, se eu precisaria de outras qualificações. E começou a dar dicas de como eu deveria fazer meu CV e sobre a carta de apresentação.

Nisso fiquei pensando com meus botões:
“- Isso quer dizer que eu já passei?”

Perguntei se podia mostrar a pesquisa sobre perspectivas de emprego para 2009 na minha profissão e mostrei tudo. Então por conta própria ele começou a olhar o resto das pesquisas que tinha feito até chegar nas ofertas de moradia.

Comentei que eu não queria alugar uma casa pois estava indo sozinha e por isso queria alugar um quarto. Então ele começou a dar mais dicas como locais para morar, requisitos para um bom aluguel, o que ele achava um bom preço, e até que eu deveria ser co-locadora e não somente alugar um quarto.

E falei de novo com os botões:
“- Bom, acho que ele não ia falar isso se eu não tivesse passado...”

Ele comentou que a pesquisa estava muito boa, mas o mais importante eram as vagas de emprego e as profissões alternativas...o que ele chama de planos A, B e C.

Voltou para o computador e entrou numa tela que dava para ver que ele estava dando as notas sobre todas as informações que ele havia tomado nota.

Então começou a me dar vários papéis com links e informações, me deu o folder sobre as aulas de francisação online e o livrinho do “Apprendre le Québec”.

“- É...acho que fui aprovada...”

Então ele tirou um papel da impressora e pediu que eu checasse meu nome e a data de nascimento (nem percebi que no topo estava escrito “Certificat de Sélection du Québec”). Respondi que estavam OK. Então ele me deu uma 2ª. via e explicou que uma era para dar entrada no consulado e a outra era para fazer meu registro logo que chegasse no Canadá.

“- PASSEI!!!!”

Só então ele disse o esperado “felicitation!”.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Enquanto isso, no banco...

O clima do banco nunca foi bom. Sempre tive problemas com meu chefe sendo que o pior era o de que ele sempre exigiu respeito somente pelo cargo que tinha, e eu não conseguia respeitá-lo por absolutamente NADA.

Pessoinha oportunista, mesquinho e covarde, com desvios de caráter e de personalidade fraca. Profissionalmente também muito fraco, devagar e até meio burrinho. Eu acho que por isso ele se tornou uma pessoa paranóica achando que todos queriam derrubá-lo, pois nunca conseguiu se garantir profissionalmente por suas qualidades pessoais ou conhecimento técnico.

Tem uma visão extremamente limitada e distorcida da realidade. Vê e acredita em coisas que simplesmente não existem, não foram ditas ou não aconteceram. TUDO vira motivo para se sentir pressionado, perseguido, injustiçado e se fazer de coitadinho. Por isso dei apelidos carinhosos como “Nena Boss” e “Mocinha”.

Com a crise mundial e com a venda do banco as coisas só pioraram. A "Mocinha" entrou em pânico completo, aumentando a paranóia e a falta de noção das atitudes que tomava! O convívio se tornou insuportável! Comecei a ficar enojada de ter que olhar para a sua cara!

Como eu já tinha me decidido a dar prioridade ao meu novo projeto, desencanei totalmente do banco. Meu trabalho se tornou preparar meu dossiê e passar na entrevista.

Com o tempo a “Mocinha” me perguntou se eu queria ser mandada embora, em tom ameaçador (uuuuuiiiiii, que meda!!!). E até para o susto da "Mocinha" -que esperava que eu dissesse que ia me comportar dali por diante- eu respondi que queria ir embora.

Preferi ficar desempregada em plena crise mundial e abrir mão de meu bônus (que não era naaaaaada mau) a ter que continuar a aturar a pessoa.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Início do processo

A princípio tinha planejado entrar com o processo ao no final de 2009 quando já teria estudado bem o francês. Mas falaram tanto que o processo iria mudar no final de 2008 que decidi mandar tudo antes de acabar o ano.

Depois de voltar de férias passei todos os dias correndo atrás dos documentos para dar início ao processo pelo Quebec. Em 2 de dezembro de 2008 mandei minha documentação para o Escritório de Imigração.

Em 19 de janeiro recebi o e-mail de convocação para a entrevista que seria em 25 de março...coisa que só esperava uns 3 meses mais tarde!

Enfim, depois do pânico inicial decidi que me dedicaria exclusivamente para o francês e para o processo.

domingo, 26 de julho de 2009

Montreal

A princípio pensei em estudar 15 dias e mochilar os outros 15 dias. Queria chegar até as Rochosas...sonho de muitos anos!!! Planejei tudo como sempre. Fiz orçamentos, mapas, planejamentos, cronogramas, etc. Mas lá o cansaço não me deixou e acabei estudando por 3 semanas. A última semana foi para passear pela cidade.

Antecipei minha viagem em 1 semana, pois assim conseguiria voltar para o Brasil a tempo para o nascimento de minha pequena sobrinha fofa e linda!

Cheguei em Montreal em 14 de setembro, num domingo chuvoso e quente. A sensação térmica estava em uns 35 graus! Como boa mochileira peguei o busão do aeroporto até o metrô, e do metrô fui a pé até a residência estudantil.

Cheguei, conheci um casal de cariocas que haviam chegado como imigrantes há uns 6 meses. Tomei banho, e dormi por mais de 12 horas!!!

No dia seguinte fui para a aula. Lógico, me perdi (o que se tornou muito freqüente depois da meningite) e cheguei atrasada. Disseram que eu deveria esperar no lounge junto com os outros alunos que estavam começando naquele dia. Todos iam ter entrevista de nível.

Sentei e fiquei querendo me “integrar”. Percebi que estava infestado de brasileiros! Tentei puxar conversa com 2 meninas ao meu lado, mas fui ignorada. Então ouvi atrás de mim um grupo falando em inglês....e um deles disse que era venezuelano! “Que bom! Alguém não é brasileiro!!!”. Olhei para trás e vi que estavam todos numa mesa onde estava a jarra de café. Perguntei se podia pegar um pouco, me servi e me sentei com todos.

Fiquei conversando com o Luis, o venezuelano, sobre Chávez, Lula e outras barbaridades latino-americanas. Depois fiquei sabendo que ele estava lá para dar início ao processo de imigração. Por causa da bagunça em seu país era mais seguro fazer tudo por uma agência apesar do valor alto que cobravam.

Em minha classe conheci a Tatiana, menina doidinha que estava lá para aprender francês e que tb ia entrar com o processo de imigração. Ela me falou sobre uma tal de École Québec em São Paulo, onde só tinham professores “québécois”. Então combinamos de nos encontrar no Brasil e estudarmos juntas.

Estava decidido. Eu ia sim adotar um novo país!!!

sábado, 25 de julho de 2009

Começando o francês

Adiei o curso de francês pois estava para começar o MBA que pensei que me daria mais alguns pontos no processo de imigração. Só depois fui saber que por causa de umas 15 horas a menos de aula no MBA, ele não contaria nem um pontinho a mais.

As férias de 2007 tive que tirar em julho por causa das aulas do MBA, então tentei fechar um pacote para Montreal para ver onde eu queria me meter e para começar o francês. Mas foi em cima da hora e as passagens direto para o Canadá já estavam esgotadas. Só havia vôos com escala nos EUA e meu visto americano tinha expirado em fevereiro.

Acabado o MBA em dezembro de 2007, em janeiro de 2008 já estava em aula para um intensivo de férias na Wizard. Não gostei. No mês seguinte estava inscrita na Aliança Francesa. Mas por lá, além de tb não ter gostado muito (alunos demais por classe e a maioria "esnobe"), fiquei doente no meio do curso.

Peguei meningite no início de junho e tive que ficar internada por 10 dias. Saí do hospital completamente estropiada! Parei o francês e fiquei sem norte. Não tinha forças para pensar em que direção ir...já que mesmo que decidisse ir, mal tinha forças para caminhar. Tudo me cansava extremamente, sempre estava exausta, sempre queria dormir e só pensava que queria minha saúde de volta.

Mesmo assim minhas férias já estavam marcadas para setembro; e apesar de todo mundo ser contra ou duvidar, decidi ir para Montreal. Pensei: “Lá vai ser onde vou decidir se tenho que continuar com essa idéia de virar imigrante”.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Como começou essa idéia

Não me lembro exatamente onde vi que o Canadá tinha um programa de imigração. A data de referência que tenho é o ano de 1999. Eu era estagiária na Editora Abril e trabalhava com uma assistente que estava em processo de divórcio. Ela vivia dizendo que queria largar tudo e ir embora do Brasil. Então comentei: “por que vc não vai pro Canadá? Ouvi dizer que é muito fácil conseguir visto para lá.”

Acho que na época, ou um pouco depois, não sei, fiz algumas pesquisas sobre o assunto e até encontrei a tal lista de profissões do processo federal. Mas como Administradores não estavam na lista (ou seja, não era demandado no Canadá e não tinha chances de ser aprovado), nem liguei muito mais para o assunto. Mesmo assim guardei os arquivos no meu computador por muito tempo.

Os anos passaram....Fiz algumas viagens de mochilão pelo mundo afora, sempre com vontade de ir embora mas sem coragem de dar a louca de vez. Sempre pensava que o problema não era ir; e sim se tivesse que voltar...sem dinheiro, sem emprego, sem experiência profissional, e mais velha.

Um dia, por acaso, dei uma olhada nos spams que tinham em minha caixa de e-mails. E um deles tinha uma chamada sobre emigração para o Canadá pela Província do Quebec. Abri o e-mail e havia informações sobre uma palestra dada em várias cidades do Brasil pelo Escritório do Quebec. Decidi me inscrever e fui na 1ª. de várias outras palestras com a Soraya Tandel. Guardei essa idéia por algum tempo.

Mas o que me motivou de verdade foi quanto o tio Lula ganhou as eleições pela 2ª. vez e com votação record! Confesso que fiquei meio deprimida. Percebi que eu era minoria nessa palhaçada! Que não adiantava ser uma pessoa correta e que valoriza a cultura e educação num país onde só se valoriza a ignorância, o jeitinho, o oportunismo e se elege um presidente semi-analfabeto que mal tem concordância verbal. Percebi que o povo merecia sim o governo e o país que tinha, mas que o país não me merecia.

Fui em mais uma palestra e pensei: "É isso! Agora tenho que aprender francês!"