quarta-feira, 29 de julho de 2009

A entrevista

Em 6 de março saí do banco, deixando 20 dias para me dedicar 24 horas para o francês. Fiz um programa de estudos e nem fui mais ver minha mãe.

No dia anterior à entrevista decidi bater perna para cansar meu corpo e garantir que conseguiria dormir à noite. Mas estava tranqüila. Sabia que tinha feito tudo direitinho, tudo o que poderia ter feito para estar bem preparada para o grande dia (aulas extras, aulas particulares com simulação da entrevista, escutar Radio-Canada, estudar o dossiê).

Gostaria de agradecer à Catherine, dona da École Québec, que realmente nos prepara e nos dá apoio para esses minutos tão importantes e decisivos em nossas vidas.

Minha entrevista durou uns 50 minutos. Meu entrevistador foi o Monsieur Leblanc, conhecido por ser um "gentleman". Muito tranqüilo, faz questão de se fazer entender, é extremamente profissional e devido à forma como ele lida com o entrevistado faz com que a gente fique menos nervoso.

Bom, aí vai o relato de minha entrevista:

Minha entrevista estava marcada para as 9 horas; então cheguei pontualmente às 8:30. A recepcionista da portaria fez meu registro, deu o crachá e disse que eu somente poderia subir às 8:50. Fiquei esperando no saguão com minha “pastona” na mão e relendo o questionário que a Catherine havia passado para a preparação da entrevista.

Uns 10 minutos depois a recepcionista me chamou e disse que eu podia subir. Cheguei no escritório e sentei na salinha de espera de frente para as portas, sendo que uma delas estava semi aberta e eu podia escutar alguém falando francês no telefone.

Tentei e distrair com a TV que estava ligada e estava passando o festival de jazz em Montreal.

Por volta das 8:50, a pessoa que estava na sala saiu e se apresentou como Daniel Leblanc. Perguntou meu nome e de onde eu era, e depois de me apresentar ele perguntou se nós podíamos começar mais cedo.

Entramos na sala, se apresentou de novo e mostrou a plaquinha com seu nome. Pegou meu processo e abriu alguns papéis. Virou para o computador e perguntou qual era a minha motivação para emigrar para o Quebéc ao mesmo tempo que eu percebi que ele estava abrindo o sistema onde faria o registro de minhas informações.

Pensei comigo:
“- Motivação? Putes grila...isso dá umas 4 perguntas do questionário da Catherine...será que é isso mesmo que ele quer saber?”
Então comecei a falar da qualidade de vida, da segurança, da educação, da cultura...

Mas no meio ele me interrompeu e pediu meu passaporte e minha certidão de nascimento. Começou a verificar os documentos, digitava algumas coisas, me perguntou minha data de nascimento, e devolveu os documentos.

Pediu que eu comentasse de novo quais eram minhas motivações para imigrar, mas desta vez ele foi digitando tudo no que parecia ser um arquivo em Word.

Voltou para a mesa e deu uma passada nas empresas em que trabalhei e que estavam registradas na minha DCS. Perguntou se eu estava empregada e pediu minha carteira de trabalho. Então para cada empresa ele pediu que eu apresentasse o registro na carteira. Entretanto, eu não conseguia encontrar onde estava (e nem sabia se tinha) as datas de desligamento. Disse a ele que isso tinha nas cartas emitidas pelas empresas e perguntei se ele gostaria de ver. Olhou carta por carta, checou todas as datas e anotou no DCS, na frente de cada nome de empresa, “lettre”.

Então pediu meus documentos de estudos, também na ordem em que estavam registrados no DSC.

Primeiro com o MBA, pegou o diploma e meu histórico, e analisou nota por nota: “Vc teve 2 notas C, mas "tantas" foram A e "tantas" foram B....isso dá n% de nota C. Muito bom! Ah, e a nota C foi em Contabilidade de Custos...”. Voltou para o computador e fez algumas anotações.

Então pediu o diploma e histórico da faculdade, e também analisou nota por nota: “vc teve notas boas em estatísticas e cálculo...isso é muito bom!”. E fez mais anotações no computador.

Então foi o histórico da escola e diploma do 2º. grau. Perguntou se tinha alguma especialidade ou se era geral. E em seguida perguntou se eu tinha o diploma do primário. Mais anotações no computador.

Ainda no computador perguntou se eu já tinha ido para o Quebéc. Respondi que sim:
“- Em setembro do ano passado”.
“- Por quanto tempo?”.
“- Por 4 semanas.”
“- Vc teria uma comprovação?”

Mostrei o passaporte mais uma vez na página com o visto e os carimbos da imigração. Mesmo assim ele perguntou se não havia outra comprovação, pois o carimbo de entrada no país era do aeroporto de Toronto. Então dei a carta emitida pela escola de francês onde estudei em Montreal. E mais digitação...

Aproveitando a deixa ele pediu a comprovação de horas de francês e dei todas as outras cartas de escolas, incluindo da Aliança Francesa e da École. E ele perguntou qual eu achava a melhor. Respondi que achava que era a École pois foi onde eu aprendi a falar e a entender o francês, além de ter conhecido o sotaque “quebecois”; e ele brincou:

- “Ah...por isso vc consegue me entender...”

Eu continuei dizendo que a Aliança era uma ótima escola, mas havia muitos alunos por sala e que isso atrapalhava muito as aulas.

E ele comentou:
“- Realmente ter uma sala com poucos alunos é muito importante.”

Então perguntou (em inglês) se podíamos trocar algumas palavras em inglês. Respondi que sim e fiquei esperando alguma pergunta. Como não veio, comecei a falar de como eu tinha aprendido a falar inglês, quantos anos tinha estudado, como tinha praticado. E logo em seguida ele disse que estava bom e que poderíamos voltar para o francês.

Ainda no computador ele perguntou qual era meu planejamento de imigração, meus planos A, B, C... Eu respondi que havia feito uma pesquisa sobre as perspectivas de trabalho e sobre vagas de emprego, e perguntei se ele gostaria de ver; e ele respondeu que sim.

Aproveitei e tirei todas as pesquisas e projetos que tinha feito, não só de emprego mas tb de moradia, orçamento, mapas de Montreal...

Coloquei tudo em cima da mesa e fui apresentando a de empregos. Disse que meu plano A era aperfeiçoar meu francês tanto falado como escrito pois isso era muito importante para a minha profissão, e que teria que fazer a equivalência de meu diploma. Por isso, meu plano B era trabalhar ainda na área administrativa (pois sou administradora) mas em cargos mais baixos ou em profissões alternativas que não exigissem faculdade.

Então ele me pediu que eu desse exemplos de profissões alternativas. E essa eu tenho que agradecer a Catherine que no simulado me sugeriu que levasse alguns exemplos! Sem o toque dela não teria levado nada! E ele digitou no computador profissão por profissão.

Pegou a pesquisa de vagas de emprego e começou a passar uma a uma, fazendo uma avaliação de tudo, se serviam para mim, se a empresa era boa, se eu precisaria de outras qualificações. E começou a dar dicas de como eu deveria fazer meu CV e sobre a carta de apresentação.

Nisso fiquei pensando com meus botões:
“- Isso quer dizer que eu já passei?”

Perguntei se podia mostrar a pesquisa sobre perspectivas de emprego para 2009 na minha profissão e mostrei tudo. Então por conta própria ele começou a olhar o resto das pesquisas que tinha feito até chegar nas ofertas de moradia.

Comentei que eu não queria alugar uma casa pois estava indo sozinha e por isso queria alugar um quarto. Então ele começou a dar mais dicas como locais para morar, requisitos para um bom aluguel, o que ele achava um bom preço, e até que eu deveria ser co-locadora e não somente alugar um quarto.

E falei de novo com os botões:
“- Bom, acho que ele não ia falar isso se eu não tivesse passado...”

Ele comentou que a pesquisa estava muito boa, mas o mais importante eram as vagas de emprego e as profissões alternativas...o que ele chama de planos A, B e C.

Voltou para o computador e entrou numa tela que dava para ver que ele estava dando as notas sobre todas as informações que ele havia tomado nota.

Então começou a me dar vários papéis com links e informações, me deu o folder sobre as aulas de francisação online e o livrinho do “Apprendre le Québec”.

“- É...acho que fui aprovada...”

Então ele tirou um papel da impressora e pediu que eu checasse meu nome e a data de nascimento (nem percebi que no topo estava escrito “Certificat de Sélection du Québec”). Respondi que estavam OK. Então ele me deu uma 2ª. via e explicou que uma era para dar entrada no consulado e a outra era para fazer meu registro logo que chegasse no Canadá.

“- PASSEI!!!!”

Só então ele disse o esperado “felicitation!”.

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