AGORA VAI OU RACHA
Os problemas no trabalho com o russo melhoraram, mas pioraram com a minha nova chefe. Gestora terrivel, sem conhecimento ou interesse nenhum, lentinha e que leva absolutamente TUDO para o lado pessoal. Alem de seu unico argumento para exigir respeito eh dizer: “Sou nivel 8, e vc eh um nivel 5. Por isso vc tem que me respeitar.” Tipico de quem nao tem competencia para se impor como superior…
Detalhe: no Brasil eu seria o equivalente de um nivel 9. Mas vamos deixar o passado no passado, nao eh? Ou no breve futuro, quem sabe?
Estipulei o 1o. deadline para marco logo que voltasse de minhas ferias no Brasil, caso as coisas nao tranquilizassem. Tambem decidi que tudo o que viesse iria voltar na mesma forca e intensidade. Lei da Acao e Reacao colocada na pratica.
Por alguns meses as coisa melhoraram, mas assim como o humor da chefe, os altos e baixos sempre foram violentos e algumas semanas antes de viajar tive a primeira grande discussao.
Nao pensava em outra coisa se nao voltar para a minha casa: Sao Paulo. Ja estava exausta e queria estar num lugar onde nao precisasse entender nem me adaptar. Um lugar onde eu teria conhecimento sobre tudo e dominio sobre o que se passa em volta, mesmo que isso incluisse violencia, caos e falta de educacao. Em resumo, precisava de ferias de minha vida de imigrante.
Apesar de gostar muito daqui e ser apaixonada por Montreal, a saudades do concreto de SP comecou a me consumir.
E o que pensei sobre minha viagem foi: “Eh no Brasil que vou saber o que devo fazer.”
Fiz questao de nao so passar o maximo de tempo com minha familia, mas tambem encontrar alguns amigos e rever pessoas queridas de meus antigos empregos. De certa forma nao queria so matar as saudades, mas tambem resgatar meu orgulho e meu brio de paulistana. O pessoal de outras cidades que me perdoe, mas ser paulistano nao eh para qualquer um (seja nascido ou adotado pela cidade). Tem que ser MOOOOOOOOOOOITO casca-grossa para sobreviver por la.
A constante luta contra minhas frustracoes no Canada (a comecar com a lingua) de certa forma me fizeram esquecer de onde vim e como isso influenciou quem eu sou. Passei um tempao com medo, acuada e sem coragem. Engoli muita capivara achando que deveria aceitar todas as grosserias culturais a qualquer custo a fim de me adaptar.
Nao entrando em muitos detalhes, minhas 2 semanas no Brasil foram uma verdadeira montanha-russa emocional. Ficar longe de minha familia e perder o crescimento de meus sobrinhos sempre serao as coisas que poderao fazer me arrepender de estar aqui. Mas a minha decisao final so foi tomada quando ofereceram meu antigo emprego de volta (sim, aquele que eu adorava).
Depois de passar 30 minutos olhando para a tela do computador com o meu CV em portugues aberto, pensei: “Se vc voltar, vc sera feliz de volta. Mas vai ficar se perguntando se nao poderia ter ficado mais um ano ate pedir a sua cidadania.”
Voltei para a querida Montreal, mas agora com uma missao. Sem saber como faria para completar esses 12 meses (contando a partir de julho), mas bem mais leve.
Enfim, as coisas no trabalho continuaram de onde estavam para pior. Comecei a passar o final de minhas tardes na biblioteca procurando um novo emprego.
Apos meu 2o. periodo de ferias em maio as coisas degringolaram de vez e depois de uma discussao feia com minha chefe, pedi uma reuniao com a gerente. Passei 2 horas contando o que vinha se passando no departamento, com emails e um dossier que montei como provas.
O 2o. deadline foi estabelecido: 10 de julho; quando seria minhas entrevista para renovacao de meu visto americano.
No final de maio completei 2 anos de Canada. Tambem estava fazendo contagem regressiva e quase entrando em desespero no emprego...
Quando cheguei para trabalhar em 4 de junho havia um email do Brasil perguntando se eu realmente nao queria voltar para meu antigo emprego. Fiquei tao transtornada que liguei para la da minha mesa de trabalho mesmo!
Logo em seguida o vice-presidente (que nunca me da nem “bom dia” pelos corredores) me chamou em sua sala e perguntou o que eu acharia de mudar de area e ir trabalhar no projeto de implementacao de sistemas que esta rolando ha meses.
Ja no dia seguinte ele convocou uma reuniao e comunicou para choque de todos que a partir daquele dia eu nao trabalharia mais com a equipe da Maria, e sim ajudando no novo projeto por 10 meses. Com isso tambem ganhei uma promocao e um aumento!!! Vai entender essa gente doida!
Entrei no projeto e meu 2o. deadline passou. Por enquanto esta tudo indo bem (apesar do projeto estar um verdadeiro caos). O clima de trabalho eh completamente outro e nem parece que estou na mesma empresa!
Nao tenho mais deadline. Estou vivendo um dia de cada vez. Se eu chegar no ponto de stress como estava, peco minhas contas sem arrependimentos e sem medo mesmo nao tendo outro emprego em vista.
Depois de tudo o que passei tenho certeza que consigo dar um jeito de me virar.
Mas a minha procura continua…
Os problemas no trabalho com o russo melhoraram, mas pioraram com a minha nova chefe. Gestora terrivel, sem conhecimento ou interesse nenhum, lentinha e que leva absolutamente TUDO para o lado pessoal. Alem de seu unico argumento para exigir respeito eh dizer: “Sou nivel 8, e vc eh um nivel 5. Por isso vc tem que me respeitar.” Tipico de quem nao tem competencia para se impor como superior…
Detalhe: no Brasil eu seria o equivalente de um nivel 9. Mas vamos deixar o passado no passado, nao eh? Ou no breve futuro, quem sabe?
Estipulei o 1o. deadline para marco logo que voltasse de minhas ferias no Brasil, caso as coisas nao tranquilizassem. Tambem decidi que tudo o que viesse iria voltar na mesma forca e intensidade. Lei da Acao e Reacao colocada na pratica.
Por alguns meses as coisa melhoraram, mas assim como o humor da chefe, os altos e baixos sempre foram violentos e algumas semanas antes de viajar tive a primeira grande discussao.
Nao pensava em outra coisa se nao voltar para a minha casa: Sao Paulo. Ja estava exausta e queria estar num lugar onde nao precisasse entender nem me adaptar. Um lugar onde eu teria conhecimento sobre tudo e dominio sobre o que se passa em volta, mesmo que isso incluisse violencia, caos e falta de educacao. Em resumo, precisava de ferias de minha vida de imigrante.
Apesar de gostar muito daqui e ser apaixonada por Montreal, a saudades do concreto de SP comecou a me consumir.
E o que pensei sobre minha viagem foi: “Eh no Brasil que vou saber o que devo fazer.”
Fiz questao de nao so passar o maximo de tempo com minha familia, mas tambem encontrar alguns amigos e rever pessoas queridas de meus antigos empregos. De certa forma nao queria so matar as saudades, mas tambem resgatar meu orgulho e meu brio de paulistana. O pessoal de outras cidades que me perdoe, mas ser paulistano nao eh para qualquer um (seja nascido ou adotado pela cidade). Tem que ser MOOOOOOOOOOOITO casca-grossa para sobreviver por la.
A constante luta contra minhas frustracoes no Canada (a comecar com a lingua) de certa forma me fizeram esquecer de onde vim e como isso influenciou quem eu sou. Passei um tempao com medo, acuada e sem coragem. Engoli muita capivara achando que deveria aceitar todas as grosserias culturais a qualquer custo a fim de me adaptar.
Nao entrando em muitos detalhes, minhas 2 semanas no Brasil foram uma verdadeira montanha-russa emocional. Ficar longe de minha familia e perder o crescimento de meus sobrinhos sempre serao as coisas que poderao fazer me arrepender de estar aqui. Mas a minha decisao final so foi tomada quando ofereceram meu antigo emprego de volta (sim, aquele que eu adorava).
Depois de passar 30 minutos olhando para a tela do computador com o meu CV em portugues aberto, pensei: “Se vc voltar, vc sera feliz de volta. Mas vai ficar se perguntando se nao poderia ter ficado mais um ano ate pedir a sua cidadania.”
Voltei para a querida Montreal, mas agora com uma missao. Sem saber como faria para completar esses 12 meses (contando a partir de julho), mas bem mais leve.
Enfim, as coisas no trabalho continuaram de onde estavam para pior. Comecei a passar o final de minhas tardes na biblioteca procurando um novo emprego.
Apos meu 2o. periodo de ferias em maio as coisas degringolaram de vez e depois de uma discussao feia com minha chefe, pedi uma reuniao com a gerente. Passei 2 horas contando o que vinha se passando no departamento, com emails e um dossier que montei como provas.
O 2o. deadline foi estabelecido: 10 de julho; quando seria minhas entrevista para renovacao de meu visto americano.
No final de maio completei 2 anos de Canada. Tambem estava fazendo contagem regressiva e quase entrando em desespero no emprego...
Quando cheguei para trabalhar em 4 de junho havia um email do Brasil perguntando se eu realmente nao queria voltar para meu antigo emprego. Fiquei tao transtornada que liguei para la da minha mesa de trabalho mesmo!
Logo em seguida o vice-presidente (que nunca me da nem “bom dia” pelos corredores) me chamou em sua sala e perguntou o que eu acharia de mudar de area e ir trabalhar no projeto de implementacao de sistemas que esta rolando ha meses.
Ja no dia seguinte ele convocou uma reuniao e comunicou para choque de todos que a partir daquele dia eu nao trabalharia mais com a equipe da Maria, e sim ajudando no novo projeto por 10 meses. Com isso tambem ganhei uma promocao e um aumento!!! Vai entender essa gente doida!
Entrei no projeto e meu 2o. deadline passou. Por enquanto esta tudo indo bem (apesar do projeto estar um verdadeiro caos). O clima de trabalho eh completamente outro e nem parece que estou na mesma empresa!
Nao tenho mais deadline. Estou vivendo um dia de cada vez. Se eu chegar no ponto de stress como estava, peco minhas contas sem arrependimentos e sem medo mesmo nao tendo outro emprego em vista.
Depois de tudo o que passei tenho certeza que consigo dar um jeito de me virar.
Mas a minha procura continua…
Um comentário:
Ohhh!!!!Realmente essa vida de imigrante nos faz passar por cada prova uma diferente da outra. Também nos faz pensar todo dia em voltar para nossa terra ao lado dos nossos familiares e amigos e entender e ser entendido! Também estou sentindo esse mesmo tipo de vazio, da sensação que mesmo após 10 anos (no futuro) estarei ainda lutando por algo que eu ainda não sei o que será, mas que com certeza será algo que afeta os imigrantes.
E...a certeza que quero voltar o quanto antes (com a cidadania no bolso) :)
Bjs e boa sorte. Que esse cantinho que você está agora te deixe um pouco mais tranquila e em paz para você decidir o que é melhor para seu futuro. Seja ele aqui o no Brasil :)
Lucinei
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