A viagem foi muito tranqüila e quase o tempo todo vim “conversando” com a Bebecca! :)
Demos uma parada rápida num Burger King para matarmos a fome:
“- Lilica, que vc quer comer?”
“- O que seja mais fácil para pronunciar!”
E foi isso mesmo que fiz:
“- Númerrô ãn ê une Cocá-Colá zérrô, sí vú plê!”
“- Sbrubles....sbrubles....”
Cara de “hein?”
Mas no fim deu tudo certo. Foi meu primeiro contato com o francês depois de meses...rsrsrs. Sucesso total!!!
Chegamos em Ville de Québec, na casa da Paty e do Cacá.
Durante o resto do dia fiquei me segurando para não dormir para não estragar meu sono à noite...então passei quase o tempo todo meio fora do ar.
No final da tarde eu, a Paty e a Rebecca fomos botar o lixo para fora, e no estacionamento perto da lixeira havia uma daquelas cadeiras dobráveis. Lá, sozinha e sem dono.
É um conceito muito estranho para nós mas já ouvi muitas histórias sobre as pessoas deixarem objetos, eletrodomésticos e até móveis semi-novos e de boa qualidade na rua para alguém passar e levar embora para casa.
“Sou novinho e preciso de um novo lar. Adote-me!”
É assim que muitos recém-chegados conseguem mobiliar e equipar a casa sem gastar muito.
Logo a Paty comentou que provavelmente estava ali para ser dada. Eu até fiquei meio na dúvida, mas ela até comentou que ali no mesmo lugar já tinha visto outras coisas para doar.
“- Será que está quebrada?”
“- Vou lá testar. Se agüentar meu peso aí a gente leva.”
Sentei e até me sacudi um pouco. Parecia tudo OK! Dobramos a cadeira e já estava levando a cadeira debaixo do braço quando, passando na frente de uma das saídas no edifício, aparece o dono da cadeira! :S
QUE VERGONHA!!!
Neste momento a Paty começou a cavar um buraco para a gente se enfiar dentro de tanta vergonha!!!
Pedimos milhões de desculpas...demos milhões de justificativas.
O dono da cadeira foi super simpático e educado, e até tentou amenizar a situação dizendo que a culpa tinha sido dele. E que até ele próprio já tinha deixado uma TV ali no mesmo lugar para ser doada.
“- Se eu tivesse deixado uma chave ou um celular em cima da cadeira seria um problema; mas como deixei a cadeira sozinha... eu mesmo pensaria que estava ali para doar...”
Mas não adiantou nada! Naquela hora eu até perdi o sono e meu francês pegou no tranco!!! Ainda disse que em meu 1º. dia no Canadá já estava furtando os outros... :S
Pensando agora é até engraçado: eu e a Paty puxando conversa e tentando disfarçar toda a situação...e a Rebecca correndo em volta dos 3 sem parar de brincar.
No final das contas ficamos conhecendo melhor nosso vizinho, que é de um pequeno país da África e está aqui desde 2006. Depois de um tempo ele pediu licença e foi até o carro. Pegou 3 caixinhas de suco (iguais ao que ele já estava tomando) e deu para mim, para a Paty e para a Rebecca, e ainda gozou de nós:
“- Este é dado de verdade!”
3 comentários:
Mulher,
Micão TOTAL!!!! Que vergonha alheia... hehehe. Isso é que dá ficarmos lendo os blogs e das coisas que são deixadas na calçada... hehehe.
Beijos
hAHAHAHHAHAAH... Adoreiii, mas que foi de ficar roxa de vergonha, foi! Que vergonhaaaa,hahahahahaha, mas compreenssivel!Viu nem tudo q está na calçada, é p ser doado.
Mas era só o que faltavá Má: sem antecedentes no Brasil e fichada no Québec! Hahahahaha.Passado o vexame é bem engraçado e vai entrar pra lista de boas histórias de imigrantes recém-chegados.
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