Todos as pessoas que chegam aqui, trazem pouquíssimas malas, muitos desafios e zilhões de dúvidas existenciais. Independente de qualquer coisa a imigração para ninguém que conheci é uma decisão fácil. Se decidir e conseguir vir é difícil, chegar e se manter aqui é ainda mais complicado, e se a pessoa não tiver uma boa estrutura psicológica para agüentar o tranco pode dar uma pirada.
Por várias vezes, seja por estar passando por uma crise ou por escutar as reclamações de alguém, tento pensar sempre em meu avós que foram do Japão para o Brasil.
Tenho ciência que a natureza da imigração feita no Canadá e seus objetivos são completamente diferentes dos daquela época feita pelo Brasil. Mas como essa memória ainda é viva em minha família, não posso deixar de comparar as dificuldades pela qual passaram com o “passeio no parque” que é a imigração no Canadá.
Não quero dizer que não passei por crises existenciais por aqui. Pelo massacre de informações, correr atrás de tudo para começar uma nova vida, aprender uma nova língua, se adaptar aos novos hábitos, atitudes e reações do povo local. Mas eles também passaram por tudo isso e sem saber exatamente para onde estavam indo, para trabalharem na lavoura (a grande maioria dos imigrantes japoneses vinham das cidades) e serem explorados pelos donos de terras que achavam que eram uma raça inferior. Para sofrer com o racismo, as sanções da 2a. Guerra Mundial, a diferença gritante da comida, o despreparo para o clima, morrer com as doenças tropicais e, por fim, sem Internet e Skype (se uma carta chegasse ao destino já era um milagre!!).
E um ano se passou desde minha chegada…
E como conta a Lei da Física, o tempo que passa é muito relativo porque passou muito rápido e ao mesmo tempo parece que estou aqui há anos por todas as coisas que consegui fazer, as pessoas que conheci e as cabeçadas que dei.
Desse período só tenho a agradecer ao Canadá e ao Quebec. Como já havia escutado antes, concordo quando dizem que o governo do Canadá é uma madrasta compreensiva e o Quebec, uma mãe generosa.
Sinto falta de muitas coisas do Brasil como uma boa carne, um bom boteco de rua e um sistema bancário eficiente. Mas de tudo de que sinto falta, nada é essencial em minha vida (com exceção de minha família). Sentir falta acaba sendo uma reclamação de quem não tem muito do que reclamar…
Ao contrário de quando estava no Brasil, onde sentia falta de coisas que eram tão essenciais para minha vida que precisei ir embora de meu próprio país para encontrá-las: um sistema de educação universal, um sistema de saúde pública decente e a segurança de se andar na rua.
E o Canadá me deu tudo isso! Deu-me o que meu próprio país não pôde dar!
Saudades (e separo “sentir falta” de “saudades”), isso vou ter sempre. Saudades do mar…mesmo tendo passado toda a minha vida na louca São Paulo. Saudades de pastel de feira, do cheiro das frutas maduras só de se entrar em um supermercado. Saudades da fartura de nossas refeições. Saudades do Mercadão, das cantinas italianas "meu", dos "kilos" para almoçar. Saudades de assistir péssimas novelas com minha mãe.... Saudades de brincar com meus sobrinhos e de todas as fases de seu crescimento que perderei…
Mas estou a 1 noite de distância de tudo isso. Meus avós estavam a pelo menos 2 meses de distância dentro de um navio.
Por várias vezes, seja por estar passando por uma crise ou por escutar as reclamações de alguém, tento pensar sempre em meu avós que foram do Japão para o Brasil.
Tenho ciência que a natureza da imigração feita no Canadá e seus objetivos são completamente diferentes dos daquela época feita pelo Brasil. Mas como essa memória ainda é viva em minha família, não posso deixar de comparar as dificuldades pela qual passaram com o “passeio no parque” que é a imigração no Canadá.
Não quero dizer que não passei por crises existenciais por aqui. Pelo massacre de informações, correr atrás de tudo para começar uma nova vida, aprender uma nova língua, se adaptar aos novos hábitos, atitudes e reações do povo local. Mas eles também passaram por tudo isso e sem saber exatamente para onde estavam indo, para trabalharem na lavoura (a grande maioria dos imigrantes japoneses vinham das cidades) e serem explorados pelos donos de terras que achavam que eram uma raça inferior. Para sofrer com o racismo, as sanções da 2a. Guerra Mundial, a diferença gritante da comida, o despreparo para o clima, morrer com as doenças tropicais e, por fim, sem Internet e Skype (se uma carta chegasse ao destino já era um milagre!!).
E um ano se passou desde minha chegada…
E como conta a Lei da Física, o tempo que passa é muito relativo porque passou muito rápido e ao mesmo tempo parece que estou aqui há anos por todas as coisas que consegui fazer, as pessoas que conheci e as cabeçadas que dei.
Desse período só tenho a agradecer ao Canadá e ao Quebec. Como já havia escutado antes, concordo quando dizem que o governo do Canadá é uma madrasta compreensiva e o Quebec, uma mãe generosa.
Sinto falta de muitas coisas do Brasil como uma boa carne, um bom boteco de rua e um sistema bancário eficiente. Mas de tudo de que sinto falta, nada é essencial em minha vida (com exceção de minha família). Sentir falta acaba sendo uma reclamação de quem não tem muito do que reclamar…
Ao contrário de quando estava no Brasil, onde sentia falta de coisas que eram tão essenciais para minha vida que precisei ir embora de meu próprio país para encontrá-las: um sistema de educação universal, um sistema de saúde pública decente e a segurança de se andar na rua.
E o Canadá me deu tudo isso! Deu-me o que meu próprio país não pôde dar!
Saudades (e separo “sentir falta” de “saudades”), isso vou ter sempre. Saudades do mar…mesmo tendo passado toda a minha vida na louca São Paulo. Saudades de pastel de feira, do cheiro das frutas maduras só de se entrar em um supermercado. Saudades da fartura de nossas refeições. Saudades do Mercadão, das cantinas italianas "meu", dos "kilos" para almoçar. Saudades de assistir péssimas novelas com minha mãe.... Saudades de brincar com meus sobrinhos e de todas as fases de seu crescimento que perderei…
Mas estou a 1 noite de distância de tudo isso. Meus avós estavam a pelo menos 2 meses de distância dentro de um navio.
3 comentários:
Ai Márcia!!!
Até chorei de emoção lendo esse post!
Beijos. Força sempre. Não é fácil mesmo!!!
Lu
É... vc foi rápida e certeira com as suas palavras. Uma virtude que poucos têm... a vida aqui é isso mesmo. E reclamar faz parte, mas a gente reclama só pra não perder o costume... rs... bjssssssssssss
Ótimo post! Aliás, todos são sempre bons! Que o 2o ano aí seja ainda melhor!
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