terça-feira, 1 de junho de 2010

Parte III - Minha partida, minha chegada e o aumento da criminalidade no Quebec

Malas no carro. Próximo destino: Ville de Québec!

A viagem foi muito tranqüila e quase o tempo todo vim “conversando” com a Bebecca! :)

Demos uma parada rápida num Burger King para matarmos a fome:

“- Lilica, que vc quer comer?”
“- O que seja mais fácil para pronunciar!”

E foi isso mesmo que fiz:

“- Númerrô ãn ê une Cocá-Colá zérrô, sí vú plê!”
“- Sbrubles....sbrubles....”

Cara de “hein?”

Mas no fim deu tudo certo. Foi meu primeiro contato com o francês depois de meses...rsrsrs. Sucesso total!!!

Chegamos em Ville de Québec, na casa da Paty e do Cacá.

Durante o resto do dia fiquei me segurando para não dormir para não estragar meu sono à noite...então passei quase o tempo todo meio fora do ar.

No final da tarde eu, a Paty e a Rebecca fomos botar o lixo para fora, e no estacionamento perto da lixeira havia uma daquelas cadeiras dobráveis. Lá, sozinha e sem dono.

É um conceito muito estranho para nós mas já ouvi muitas histórias sobre as pessoas deixarem objetos, eletrodomésticos e até móveis semi-novos e de boa qualidade na rua para alguém passar e levar embora para casa.

“Sou novinho e preciso de um novo lar. Adote-me!”

É assim que muitos recém-chegados conseguem mobiliar e equipar a casa sem gastar muito.

Logo a Paty comentou que provavelmente estava ali para ser dada. Eu até fiquei meio na dúvida, mas ela até comentou que ali no mesmo lugar já tinha visto outras coisas para doar.

“- Será que está quebrada?”
“- Vou lá testar. Se agüentar meu peso aí a gente leva.”

Sentei e até me sacudi um pouco. Parecia tudo OK! Dobramos a cadeira e já estava levando a cadeira debaixo do braço quando, passando na frente de uma das saídas no edifício, aparece o dono da cadeira! :S

QUE VERGONHA!!!

Neste momento a Paty começou a cavar um buraco para a gente se enfiar dentro de tanta vergonha!!!

Pedimos milhões de desculpas...demos milhões de justificativas.

O dono da cadeira foi super simpático e educado, e até tentou amenizar a situação dizendo que a culpa tinha sido dele. E que até ele próprio já tinha deixado uma TV ali no mesmo lugar para ser doada.

“- Se eu tivesse deixado uma chave ou um celular em cima da cadeira seria um problema; mas como deixei a cadeira sozinha... eu mesmo pensaria que estava ali para doar...”

Mas não adiantou nada! Naquela hora eu até perdi o sono e meu francês pegou no tranco!!! Ainda disse que em meu 1º. dia no Canadá já estava furtando os outros... :S



Pensando agora é até engraçado: eu e a Paty puxando conversa e tentando disfarçar toda a situação...e a Rebecca correndo em volta dos 3 sem parar de brincar.

No final das contas ficamos conhecendo melhor nosso vizinho, que é de um pequeno país da África e está aqui desde 2006. Depois de um tempo ele pediu licença e foi até o carro. Pegou 3 caixinhas de suco (iguais ao que ele já estava tomando) e deu para mim, para a Paty e para a Rebecca, e ainda gozou de nós:

“- Este é dado de verdade!”

Parte II - Minha partida, minha chegada e o aumento da criminalidade no Quebec

Durante a viagem lembrei que teria que entregar na imigração os papéis dados pelo consulado junto com meu passaporte e o visto de imigrante. Então logo que saí do avião fui ao banheiro para tirar a papelada da bagagem de mão. Quando saí o aeroporto parecia deserto...não tinha ninguém à vista!

Cheguei na imigração e o policial, extremamente educado (normalmente os agentes de imigração são super antipáticos) fez algumas perguntas sobre o que eu estava levando e me direcionou para uma salinha onde faria a declaração de meus bens.

Na salinha fui atendida por outro policial, também extremamente educado que fez várias perguntas, sugestões e até aconselhamentos sobre a documentação que deveria providenciar.

“- This is a very important moment because now you’re officially a Canadian resident!”

Comentou que o MICC só abriria dali 2 horas então eu teria que procurar o escritório em Ville de Québec para marcar uma entrevista.

Depois de preencher toda a papelada e eu assinar ele ainda arranhou um português com um sotaque bem forte: “Bem-vinda ao Canadá e boa sorte!”

Saí dali super contente! Peguei minhas "malinhas" e fui para a alfândega. Entreguei a papelada feita na imigração e pediram para que eu fosse para uma outra sala, com vários balcões onde se colocam as malas para serem vistoriadas. Mas não tinha ninguém lá... parecia uma sala-fantasma. Esperei um pouco, olhei em volta, andei um pouco, voltei para a entrada. Esperei mais um pouco e decidi ir para a saída...

Então apareceu um guarda que pediu para eu me direcionar com as malas para um dos balcões no final do salão. Lá ele fez as mesmas perguntas feitas na imigração e qdo fiz a declaração de bens. Perguntou sobre o dinheiro, como ele estava (dinheiro, espécie, etc.) e onde estava; e então disse que eu precisaria acompanhá-lo para outra sala junto com o meu dinheiro.

Pensei: “Nunca li nada sobre isso em lugar nenhum...Será que estão fazendo isso pq sou a única neste aeroporto inteiro e eles têm que mostrar serviço?”

Chamou uma assistente que nos acompanhou. Na salinha pediu para que eu mostrasse todo o dinheiro e travellers, contou tudo e ainda cantou os valores para a moça:
“- x notas de CAD$10, y notas de CAD$50...”

Os valores em Visa Travel Money simplesmente foram ignorados, como se não tivesse importância para a documentação.

Guardei o dinheiro e voltamos para o balcão. O policial com toda a calma do mundo escreveu um monte de coisas que eu não conseguia ver o que era. Preencheu uns 3 formulários, me deu 1 para assinar que tinha os valores que ele havia contado, e então me liberou:

“- Welcome to Canada!”

Saí no saguão e encostei num canto para organizar e guardar toda aquela papelada. Então fui até o orelhão ligar para o Jeison e a Susana. Eles tinham acabado de chegar e foi uma grande alegria ser recebida por eles e pela pequena Rebecca!!!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Parte I - Minha partida, minha chegada e o aumento da criminalidade no Quebec

E finalmente chegou o grande dia! As duas últimas semanas foram a maior correria! Despedidas, mudança, papeladas, etc. Para facilitar eu fiquei sem Internet graças aos serviços da querida NET.

Cheguei em Cumbica às 19hs, o que daria tempo suficiente para fazer o check-in e me despedir da família com tranqüilidade pois o vôo para Miami só sairia às 21:30.











A fila na American Airlines estava gigantesca, pois foi feita uma fila única para todos os vôos daquela noite. Mas foi rápido e logo cheguei no “pré-check-in”: aquela mocinha que faz algumas perguntas sobre a bagagem, para onde estamos indo, e checa a reserva:

“- A senhora vai para...”
“- …Miami-Montreal”
“- Hum... Miami-Chicago-Montreal!”
“- Chicago? Nãããão… Miami-Montreal! Direto!”
“- Não senhora… sua reserva está Miami-Chicago-Montreal.”

Breve momento de pânico...

Depois de alguns minutos checando e rechecando a reserva, chamar outra atendente, soube que meu vôo Miami-Montreal provavelmente tinha sido cancelado e fiquei com a recomendação de pedir no balcão do check-in para tentar me realocar num vôo para Montreal com escala em Nova York ou Dallas.

No balcão:
“- Sr. André, tenho um problema...”

E outra vez digita, checa, digita, recheca... chama outra atendente. Liga para a agência da AA. Só então soube que meu vôo Miami-Montreal tinha sido cancelado e refizeram minha reserva via Chicago! Legal, né? Nessa hora lembrei da Susana e do Jeison que estariam me esperando em Montreal, e eu nem sabia mais que horas eu ia conseguir chegar no Canadá. Devo ter feito uma cara muito de sofredora pq o atendente pediu para eu ficar calma e não chorar...

Depois de mais algumas digitações, conversas, checagens:

“- Conseguimos te colocar no vôo para Nova York! Mas vc tem que correr porque o embarque já começou e o avião sai às 20:15.”

Detalhe: já eram 19:50.

Mal tive tempo de me despedir da família... abracei forte minha mãe, chorei um pouco e comecei minha corrida que nem uma tresloucada pelo aeroporto! Lógico que o portão de embarque era o último!

Cheguei e já estavam chamando o último grupo para entrar no avião. Ainda tentei abrir meu computador para ligar para a Susana e o Jeison para contar que não ia mais parar em Miami... mas nem consegui conectar. Começaram a fazer a última chamada para o vôo.

UFA! Sentei na poltrona (fila 21, ótima pq tem mais espaço para as pernas, mas lá no fundão do avião; ou seja, ia ser uma das últimas a desembarcar), e só então comecei a pensar: “Qto tempo leva daqui até Nova York? Que horas é meu vôo NY-Montreal? Qto tempo é o vôo NY-Montreal? Que horas vou chegar em Montreal?”

E só depois que o avião decolou é que caiu a ficha de que estava indo embora... e comecei a chorar...

Bom, com tudo mais calmo vi que o vôo de NY para Montreal sairia às 7:10, mas eu só chegaria em NY às 5:50, ou seja, provavelmente perderia o vôo!!! Mais legal ainda!

Cheguei em NY sem atrasos, mas a alfândega nos EUA só abriria às 6hs, e por isso teríamos que esperar dentro do avião. MEGA LEGAL!

Abriram as portas e outra vez saí correndo e ultrapassando Deus e o mundo, até pq outros vôos provavelmente tb estavam esperando o desembarque! Na imigração o policial perguntou o horário do meu vôo e eu comentei que provavelmente já tinha perdido:

“- Se vc correr talvez vc ainda consiga embarcar.”

Saí da imigração, paguei US$5 pelo carrinho de bagagem, peguei minhas 3 malinhas de 32kg na esteira, despachei de novo....e agora com a nova missão de chegar ao Portão 31 do outro lado do "mini-aeroporto" JFK.

Passei por mais um raio-X: tira saquinho da bolsa com os líquidos e cremes, tira computador da mala, descalça sapato, coloca tudo na esteira, passa pelo raio-X, devolve saquinho para a bolsa, calça sapato, joga computador na mochila e.... 6:50hs foi dada a largada!!!!

Corre... corre... corre... desvia do velhinho! Corre... corre... corre...bifurcação. Corre... corre... corre... desce escada rolante. Agarra a mala pq a escada é lerda demais e desce correndo. Corre... corre... corre... sobe escada rolante correndo com a mala na mão. Corre... corre... corre... mais uma bifurcação. Corre... corre... corre... Portão 47! Tá chegando perto! :S

Sorte que não sou mal encarada... pq do jeito que os americanos são paranóicos poderiam pensar que era um ataque terrorista...

"Mulher-bomba descontrolada!"

Corre!!! Corre!!! Corre!!! Já estava sentindo o suor escorrendo pelo rosto!

Avistei o portão 31 no final do corredor, completamente vazio: “Puts, já saiu! Mas ainda é 7:05...”

“- Por favor, é daqui que sai o vôo para Montreal?”
“- Aqui é a sala de espera...”

“NÃO FOI ISSO QUE PERGUNTEI, IDIOTA!!!”

“- O vôo para Montreal já saiu?”
“- Vc tem que esperar eu chamar.”

“BABACÃO!!!”

Sentei, tentei me recompor e só então consegui me conectar e ligar para o Jeison e avisar sobre o cancelamento de meu vôo de Miami, mas ainda não sabia que horas iria embarcar e nem qto tempo levaria o vôo para Montreal.

“Preciso de um banho...”

Depois de uns 20 minutos saiu o aviso de que o vôo tinha sido remarcado para as 7:50.

Um pouco depois das 9hs cheguei em Montreal.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Comidas que vão dar saudades (Parte II)

Essa é em homenagem ao Dia Mundial da Cachaça (hoje)! Hehehehe.

Meu avô tinha um alambique; e em minhas memórias de infância lembro que quando passávamos o final de semana em sua casa, um pouco antes do almoço eu, meu pai e minha irmã íamos até o alambique pegar um pouco de cachaça para que meu avô fizesse batida de uvaia para toda a família. Lá mesmo no alambique tinha um pequeno copo que era enchido. Primeiro se jogava uma parte para o santo (na parede tinha uma mancha enorme como registro do tanto que o santo já tinha bebido) e o resto bebia meu pai.

Eu e minha irmã não bebíamos da cachaça porque era forte demais, mas sempre dávamos uma "bicada" na batida! :)

Hoje em dia não é "politicamente correto" fazer isso, mas há 30 anos não era algo tão tenebroso.

E daí vem meu gosto por uma boa cachaça envelhecida e pelas caipirinhas! E nada dessa invenção de "caipiroska" ou "saikirinha". Caipirinha que é caipirinha tem que ser de boa cachaça e frutas frescas!

E como não gosto de cerveja, a Nega Fulô e o Chico Mineiro já me acompanharam várias vezes nos bares com os amigos...rsrsrsrs.

Lá no Canadá posso até encontrar uma cachaça nas lojinhas de bebidas, mas tenho dúvidas se vou encontrar Caipirinha no bar (Mica, temos que começar esse negócio por lá!).

E boa bebida tem que ser acompanhada de boa comida. :)

Aí vão algumas fotos de minhas últimas despedidas:

Petiscos com caipirinha de lima da pérsia

Olha o naipe da pizza!!!

Docinhos árabes-sírios

E para fechar...feijoada com Guaraná Antártica

Ai...ai...

E depois dessas fotos só posso dizer que além dos meus quase 100kg de bagagem, também estou levando alguns pneus "acoplados" em mim por tentar fazer um estoque de toda essa comida boa! ;)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Medos

Medo
me.do - (ê) sm (lat metu) 1 Perturbação resultante da idéia de um perigo real ou aparente ou da presença de alguma coisa estranha ou perigosa; pavor, susto, terror. 2 Apreensão. 3 Receio de ofender, de causar algum mal, de ser desagradável. sm pl Gestos ou visagens que causam susto.

Fonte: Michaelis


De todas as ansiedades e dúvidas, tenho 3 grandes medos sobre ir viver no Canadá. Segue a lista em ordem crescente de "grandeza":

3º lugar – tendência ao “encasulamento”

Mesmo vivendo no Brasil, país quente e com um povo louco por uma festa, sempre A-D-O-R-E-I ficar em casa, na minha, quietinha e no meu cantinho. Quando era criança era só me dar papel em branco e alguns lápis que poderia passar dias desenhando sem ver nem falar com ninguém.

Para dormir, então, não preciso pensar 2 vezes! Para mim uma noite bem dormida é um dos grandes prazeres da vida! Rsrsrsrsrs.

Dizem que lá, os amigos feitos no verão é que ajudarão a passar pelo inverno.

Indo sozinha e para um lugar onde durante metade do ano a vida social acontece “in door”, pode ser um desafio para mim.


2º lugar – medo da falta de luz do Sol no inverno.

Os dias de inverno no Canadá são curtíssimos e por isso mesmo muitas pessoas sofrem com uma depressão sazonal causada pela falta de luz do Sol. Sei que cada um reage de forma diferente ao inverno, mas também sei que eu vou ter grande tendência a sentir muita falta dos longos dias ensolarados. Há algum tempo, viajando em países frios, passei 10 dias sob um clima muito nublado sem conseguir ver nenhum pedacinho de céu azul...e só isso já afetou muito meu humor.

Mas existe uma “luz” no fim do túnel...ou no mercadinho especializado mais próximo...rsrsrs. Existe a “Terapia de luz artificial”. A pessoa se submete a um banho diário de luz de uma lâmpada especial.

Logo que começar o outono vou correr atrás de meu “kit luz”! ;)


1º lugar – o sistema de saúde québecois (e meu maior medo)

Com o tempo (in)felizmente vou percebendo que todos aqueles “ditados de vó” são verdade. Um deles é aquele que diz que saúde só damos valor quando perdemos.

Tive essa experiência e até hoje estou tentando colar os cacos que encontrei.

E mesmo com muita sorte, com um plano de saúde “top” e pronto-atendimento depois de 15 minutos, demoraram para diagnosticar o que eu tinha pois eu não apresentava todos os sintomas da doença. Precisei ir 2 vezes ao pronto-socorro até descobrirem o que estava acontecendo comigo.

Fico imaginando a mesma situação no Québec...

Não é preciso pesquisar muito sobre isso. Existem inúmeros relatos sobre o sistema de saúde e como toda a província é afetada pela falta de médicos. Um dos que me assustou foi o relato do blog Los Ziegler en Canadá, família que mora em Gatineau e cujo pai teve que esperar meses para conseguir um médico que cuidasse de sua trombose!

Lógico que não quero comparar os confortos do sistema privado que eu tenho no Brasil com o sistema de saúde québecois. Se vou fazer comparações, tenho que fazê-las com o SUS. Mas sei que se lá tiver uma fratura na perna posso ficar umas 4 horas esperando por atendimento sem ter a certeza que haverá um ortopedista de plantão que fará uma tala apropriada.

Já li várias histórias sobre a dificuldade de se conseguir um médico de família. Detalhe: só um médico de família pode encaminhar a mulher ao ginecologista para seus exames anuais.

E tb já li um relato (quando encontrar outra vez coloco a fonte) sobre uma médica de família que disse à paciente que ia pesquisar no Google sobre o que ela estava falando...SOCORRO!!!! Pelo menos disfarça, né? Para consultar o Dr. Google eu mesma faço e nem precisei estudar 10 anos para isso!

Sobre a minha meningite fico pensando, será que no Québec o atendimento demoraria tanto que hoje eu teria seqüelas?

Outro dia sofri um acidente em casa e tive um corte bem profundo no queixo. E lá no pronto-socorro, sangrando, com compressa de gelo e quedas de pressão, e enquanto esperava para ser “costurada” fiquei pensando sobre o Québec... e quanto tempo teria que esperar naquela situação para ser atendida. Pois pelo que parece só quem está sangrando muito e morrendo de verdade é atendido com urgência, o que não era o meu caso.

sábado, 8 de maio de 2010

Procrastinar

É uma palavra nova que aprendi ontem com a Tati (menina, vc tá em todas!!!).

É exatamente o que ando fazendo desde que saí do emprego.

Nunca pensei que poderia acontecer isso comigo, mas parece que passar por todas essas novas experiências está sendo uma forma de testar minhas reações frente às situações.

Para saber um pouco mais: Wikipédia: Procrastinação

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mudança de planos

No começo de abril li no blog do Leandro (Teks rumo a Québec) sobre as polêmicas mudanças no orçamento da província do Québec, como o aumento de impostos, criação de taxas e cortes de despesas, o que inclui o corte de algumas aulas integrais do programa de Francisação.

Fiquei branca e comecei a buscar saber o que realmente estava acontecendo porque eu poderia ser afetada diretamente por essas mudanças!

Começar o processo abriu um leque ENORME de novas oportunidades e opções de escolha. E ter liberdade de escolha também pode deixar qualquer um maluco!!! Nas minhas noites mal dormidas pensei muito sobre a grande chance de se poder começar tudo de novo! E já que posso começar tudo de novo e no trabalho vou começar como estagiária "semi-alfabetizada" (sim, porque meu francês falado é médio e o escrito é sofrível), pensei em fazer outra faculdade. Depois saí pesquisando sobre cursos técnicos, o programa de financiamento e bolsa de estudos, documentos que precisava para voltar à escola...Quando estava a um passo de pirar, decidi parar com todas as pesquisas antes que perdesse a saúde. Resolvi que antes de tudo melhoraria meu francês, e só lá no Canadá veria se continuaria trabalhando com o que faço no Brasil, conseguiria mudar dentro do ramo da Administração de Empresas, ou voltaria para a escola.

Desde que comecei o processo sempre disse para quem quisesse ouvir que preciso muito da língua escrita para fazer meu trabalho. Tanto que depois da entrevista minha maior preocupação era dar uma maior base gramatical e escrita para o que eu já sabia falar em francês. Então, o grande foco dos estudos de francês no Canadá era o curso de francês escrito. E para mim o curso integral seria o mais ideal, pois seria mais rápido e eu poderia voltar logo para o mercado de trabalho...ou para a universidade ou CEGEP.

Depois de ler bastante sobre o assunto na Cyberpresse, no blog Patitanto encontrei um resumo das principais mudanças que inclui o cancelamento do curso integral de escrita em francês (e a bolsa oferecida); ou seja, o curso que eu mais precisava e queria fazer não existe mais!

Com a idade acredito que tenha melhorado muito, mas quem me conhece há mais tempo sabe o quanto eu O-D-E-I-O mudar de planos em cima da hora, principalmente sobre decisões importantíssimas que já foram exaustivamente pensadas, analisadas e avaliadas.

Minha primeira reação foi: "Se eles podem mudar as regras do jogo nos 45 minutos do 2o. tempo, por que não posso mudar meus planos? Vou para a província que menos se paga impostos!!!"

Passei noites pesquisando sobre Calgary e Edmonton. E surpresa! Lá o sistema de saúde funciona (o sistema de saúde é 1 dos 3 grandes medos que tenho sobre ir para o Canadá, assunto que merece um post separado)!

Com o sangue menos quente, fui pesquisar sobre Toronto e Vancouver...e guardei todas as informações e comparações.

Cheguei ao extremo de reconsiderar Ottawa-Gatineau! Mas aí acho que é apelar demais. Conheci Ottawa e tenho quase certeza que lá morreria de tédio (e olha que sou bem calma e caseira...)!

Análises feitas, informações guardadas e cabeça completamente confusa! O grande limitador de tudo é que não conheço nenhum desses lugares, e não conheço ninguém que esteja por lá. E tudo isso sem contar as zilhões de preocupações sobre as coisas que tenho que fazer antes de ir embora do Brasil!

Então, veio mais um pensamento desesperado! Chegar no Canadá, dar entrada nos documentos, deixar as malas em algum lugar e sair de mochilão para conhecer ao vivo as cidades "potenciais".

Para melhorar toda a situação, sofri um acidente doméstico que me renderam alguns pontos no rosto e 1 semana inteira "grogue" e de molho.

Com o tempo passando rápido demais e caso quisesse mudar de planos tinha que avisar minha homestay em Montreal e encontrar um novo "cafofo" para viver, e mesmo com muita insegurança decidi mudar meu destino para a Ville de Québec. Lá tenho alguns bons amigos da École e o custo de vida é bem mais baixo que em Montreal. Acho que são as duas coisas que mais preciso no momento: apoio moral das pessoas que confio e gosto, e economia de dinheiro (que me dará mais tempo para decidir o que fazer da vida).

Não conheço muito bem a Ville de Québec. Passei somente um final de semana na parte histórica/turística da cidade, que provavelmente não tem nada a ver com a vida no dia-a-dia. Li muito pouco sobre lá e até há poucos dias nem sabia a população do lugar. E confesso que me dá um pouco de aflição ir para um lugar onde a comunicação é feita só em "quebecois"... :S

Ando pesquisando alternativas sobre como vou fazer para chegar em Québec, pois se mudar a passagem terei que fazer 2 escalas nos EUA (São Paulo - Miami - Chicago - Quebec). Então provavelmente meu landing continuará sendo em Montreal. Uma opção é um ônibus que sai do próprio aeroporto de Montreal para a Ville (Orléans Express). Nada decidido ainda...

Mas é isso aí! Vou para a Ville de Québec assistir a Copa perto de bons amigos! Rsrsrsrs.

Depois dos jogos reencaminho minha vida, seja ela para os estudos, seja ela para o trabalho, seja ela para a estrada; pois por causa de tudo isso pela primeira vez em todo o processo eu comecei a considerar ir para o lado inglês.

Links com informações:

Budget 2010-2011
O Canada sob o olhar de uma imigrante: Manifestação defende curso de francês em tempo integral
Canadá Direto (Rádio Canadá) - Discussão sobre o corte dos cursos de francisação
Aéroport international Pierre-Elliott-Trudeau de Montréal